Dados do Painel de Informações do Seguro-Desemprego, disponibilizado pelo Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência, revelam que, nos 53 municípios do oeste paulista, ou seja, na 10ª RA (Região Administrativa) do Estado de São Paulo, as solicitações do benefício recuaram 8,75%, de 2024 para 2025, ao passarem, respectivamente, de 28.058 para 25.601 pedidos - uma diminuição real de 2.457 requerimentos.
Tais números, referentes à modalidade “trabalhador formal”, de pedidos presenciais ou via Web – através do portal eletrônico ou aplicativo – demonstram um cenário regional de 2025 oposto ao do levantamento anterior feito pela reportagem, que apontava crescimento nas solicitações do benefício, em 5,29%, de 2023 para 2024, ao passarem, respectivamente, de 26.777 para 28.196 pedidos.
O economista Adriano Machado Santos ressalta que o cenário de 2025 “vai em linha justamente com o crescimento do país”. “A gente tem alguns elementos interessantes: o PIB [Produto Interno Bruto], a economia do país, ela vem crescendo por conta de diversos fatores em praticamente todos os setores, mais aí o agro puxando. Então, o que acontece? Com o crescimento maior, existe a maior contratação de pessoas, inclusive, uma retenção. Ou seja, existe uma menor demissão de pessoas”, explica.
Ainda conforme o especialista, com a economia crescendo, quem já está empregado, continua. “Então, tem uma redução do número de demissões. Nesse caso, o seguro-desemprego vem sendo pedido cada vez menos, porque tem menos gente sendo demitida formalmente. Então, isso aí é reflexo direto do crescimento da economia e, inclusive, a nossa inflação, os preços continuam subindo, principalmente por conta da pressão do consumo”, esclarece.
“Ou seja, tem muita gente empregada que está consumindo bastante e a inflação deu uma maneirada, mas ela continua ainda sendo pressionada. Então, o principal fator que a gente pode apontar na queda dos pedidos de seguro-desemprego é diretamente ligado ao crescimento da economia”, reforça Adriano.
Considerando uma previsão de crescimento do PIB, um pouco menor que de 2025, mas ainda positivo, o especialista prevê um nível de emprego estável, com possibilidade até de uma pequena elevação para este ano. “Ou seja, a tendência é que os pedidos de seguro-desemprego continuem estáveis ou até reduzam um pouco mais, dada a retenção. Então, para 2026, considerando o cenário de crescimento econômico, a gente pode ver que esse cenário de 2025 ele tende a se repetir, tanto na manutenção dos empregos quanto na redução dos pedidos de seguro-desemprego”, indica o economista.
O benefício, segundo o governo federal, tem a finalidade de garantir assistência financeira temporária ao trabalhador dispensado involuntariamente, ou seja, sem justa causa, e que não possui renda própria que seja suficiente à sua manutenção e de sua família. Ainda, aquele que recebeu salários de pessoa jurídica ou de pessoa física a ele equiparada, relativos a pelo menos 12 meses nos últimos 18 meses imediatamente anteriores à data de dispensa, quando da primeira solicitação; ou pelo menos nove meses nos últimos 12 meses imediatamente anteriores à data de dispensa, quando da segunda solicitação; ou cada um dos seis meses imediatamente anteriores à data de dispensa, quando das demais solicitações.
Ainda, é direito daqueles não recebem qualquer benefício previdenciário de prestação continuada, com exceção do auxílio-acidente, do auxílio suplementar e do abono de permanência em serviço.
Para dar entrada na solicitação do seguro-desemprego, de forma presencial, basta comparecer a uma unidade do Ministério do Trabalho, Sine (Sistema Nacional de Emprego) ou agência da CEF (Caixa Econômica Federal) e preencher os formulários indicados pela equipe de atendimento. Já para o pedido online, o interessado deve acessar o portal Gov.br ou baixar o aplicativo Carteira de Trabalho Digital.
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Pedidos do benefício passaram de 28.058 em 2024, para 25.601 em 2025
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Adriano: “Cenário semelhante ou de crescimento mais tímido na economia é esperado para 2026”