Talvez não, talvez sim

OPINIÃO - Dennis Luiz Gomes Pereira

Data 28/05/2026
Horário 04:30

Talvez não seja para você voltar a estudar. Talvez não seja para você fazer um esporte. Talvez não seja para você se levantar daí. Talvez não seja para você tentar de novo. Afinal, não é para qualquer um, né? Você já viveu o que tinha que viver. Já caiu demais, já tentou demais. E, para falar a verdade, talvez seja mais confortável deixar tudo como está.
O empacado, monótono e quieto também tem seu conforto. É cômodo. Deixar a vida seguir sem mexer muito, sem arriscar. Pra que se machucar de novo? E de novo? E mais uma vez? Claro, porque mudar dá trabalho. Recomeçar dá medo. Aprender de novo cansa. Então, talvez seja melhor aceitar: “não é mais o meu tempo”. Acabou. Ou talvez não.
Talvez você realmente ache que não consegue mais sonhar como antes. Talvez tenha se convencido de que aquilo ficou para trás. E sabe o pior? Com o tempo, a gente começa a acreditar nisso. Aliás, “a gente” não, Você! Começa a achar que perder é o fim. Que errar define tudo. Que tentar de novo não faz mais sentido. Mas deixa, agora sim, “eu” te falar uma coisa: se ainda incomoda, é porque ainda importa. Se ainda dói lá no fundo da consciência, é porque ainda não acabou.
A vida nunca foi só sobre ganhar. Cair faz parte. Perder faz parte. Desistir também é uma escolha. Difícil, mas ainda assim uma escolha. Talvez você não tenha chegado até aqui por acaso. Já enfrentou coisa pior. Já recomeçou tantas outras vezes, talvez sem nem perceber. Então por que agora seria diferente? Olha o básico que talvez resolva: erga a cabeça. Não porque é fácil, mas porque ainda existe caminho. Estreito, enlameado, escuro… mas existe.
Talvez ainda não tenha dado certo justamente porque ainda não terminou. E esse incômodo que você sente não é fracasso. É sinal. Sinal de que ainda existe mais. Mais vida. Mais conquista. Mais história para escrever. Então esquece isso de “talvez não é mais para mim”. É sim. Só não vai ser do mesmo jeito de antes. Agora vai ser melhor. Com mais consciência, mais coragem e mais verdade.
Está com medo? Vai com medo mesmo. Porque quem chegou até aqui aguenta mais um passo. E, talvez, o único passo que falta é começar de novo. Assim como vários poemas de Vinicius de Moraes se transformaram em músicas, o poema de Carlinhos Madureira, Gilson Bernini e Xande de Pilares virou um verdadeiro hino de superação: “Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé, manda essa tristeza embora. Basta acreditar que um novo dia vai raiar, sua hora vai chegar”. Talvez um simples recomeço lhe caia bem.
 

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