O uso de celulares, tablets e computadores faz parte da rotina de praticamente todos os adolescentes. No entanto, o tempo excessivo diante das telas pode trazer consequências importantes para à saúde, especialmente para o sono.
Recentemente, participei de um estudo com mais de mil adolescentes brasileiros, incluindo jovens de Presidente Prudente, no qual investigamos como o tempo de tela se relaciona com a qualidade de sono e a duração de sono. Os resultados chamam atenção: cerca de metade dos adolescentes (52%) apresentou qualidade de sono ruim, enquanto quase 46% dormiam menos de oito horas por noite. Um dos achados mais importantes foi que o impacto do tempo de tela não ocorreu da mesma forma para todos. Observamos que o uso elevado de telas esteve associado à pior qualidade de sono e a noites mais curtas principalmente entre adolescentes com baixos níveis de atividade física. Em outras palavras, ser fisicamente ativo pode atuar como um fator de proteção.
Esse efeito pode ser explicado por dois caminhos complementares. À noite, a luz das telas interfere na produção de melatonina, hormônio que facilita o início do sono. Ao mesmo tempo, o uso desses dispositivos mantém o cérebro mais estimulado. Conteúdos envolventes, luz intensa e o hábito de usar o celular na cama dificultam o início do sono e reduzem sua qualidade.
Em contrapartida, a prática de atividade física contribui para a regulação do ritmo biológico e favorece um sono mais profundo e reparador. Exercícios promovem relaxamento e aumentam a necessidade de recuperação do organismo durante a noite.
Diante desse cenário, algumas atitudes simples podem fazer a diferença:
• Reduzir o uso de telas antes de dormir;
• Evitar celular na cama;
• Manter horários regulares de sono;
• Incentivar a prática de atividade física ao longo do dia.
Cuidar do sono na adolescência é investir em saúde, aprendizado e bem-estar. Em um mundo cada vez mais conectado, encontrar equilíbrio entre tecnologia e hábitos saudáveis é essencial para garantir noites de sono de melhor qualidade.
Referência
Dos Santos AB, Prado WL, Tebar WR, Ingles J, Ferrari G, Morelhão PK, Borges LO, Ritti Dias RM, Beretta VS, Christofaro DGD. Screen time is negatively associated with sleep quality and duration only in insufficiently active adolescents: A Brazilian cross-sectional school-based study. Prev Med Rep. 2023;37:102579. doi: 10.1016/j.pmedr.2023.102579.