O TCPP (Tênis Clube de Presidente Prudente) deu um passo decisivo para garantir sua sustentabilidade financeira pelas próximas décadas. Em assembleia geral realizada nesta semana, os associados aprovaram, por unanimidade, a proposta de incorporação imobiliária de uma área de 3.043 metros quadrados, localizada no cruzamento da Avenida Washington Luiz com a Rua Ângelo Gumiéri.
O objetivo central da medida é quitar uma dívida que se arrasta há cerca de 20 anos e que, atualmente, compromete 35% do orçamento do clube com o pagamento de juros e rolagem de débitos.
De acordo com o presidente do clube, Cremilson Julião Rodrigues, a decisão não foi tomada de forma impetuosa. O projeto é fruto de quase uma década de análises e tentativas de sanear as contas por outras vias, como chamadas de capital, que não surtiram o efeito esperado diante do cenário econômico e da alta taxa Selic.
"O clube saiu vitorioso. A diretoria respira o Tênis Clube 24 horas por dia e buscamos a solução mais palpável. A aprovação unânime mostra que o associado entendeu que este é o caminho para o clube perdurar por mais 92 anos", afirmou Rodrigues.
Uma das principais preocupações dos sócios — a perda de espaços esportivos — foi rebatida pela diretoria. A área negociada é considerada majoritariamente ociosa, abrigando atualmente parte do estande de tiro e um campo de futebol com baixa utilização.
O presidente garantiu que nenhuma modalidade será extinta. O estande de tiro e o campo de futebol serão realocados e modernizados dentro das dependências do clube. Além da quitação da dívida, a negociação prevê benefícios diretos aos frequentadores:
* Construção de novas vagas de estacionamento;
* Revitalização estética da fachada do clube;
* Geração de receita recorrente através de salas comerciais que permanecerão sob propriedade do Tênis Clube.
O ex-presidente e conselheiro Renato Lotfi destacou a maturidade dos associados ao optarem pela incorporação em vez de uma nova chamada de capital (taxa extra para os sócios). Para ele, a decisão cria um ambiente de segurança jurídica para atrair investidores.
"É um chamado à responsabilidade. O Tênis Clube é um case de sucesso que se mantém vivo enquanto outros grandes clubes do interior paulista fecharam as portas. Daqui a 10 anos, nosso valor patrimonial será muito maior do que é hoje", pontuou Lotfi.
Embora a venda tenha sido autorizada, ainda não existe um cronograma para o início das obras. Segundo Cremilson Rodrigues, o próximo passo é a prospecção de mercado. O clube deve consultar diferentes imobiliárias e incorporadoras para avaliar o valor real de mercado da área e definir as diretrizes do projeto arquitetônico, respeitando as limitações impostas pela diretoria para preservar a harmonia do complexo esportivo.
Foto: Sinomar Calmona
Renato Lotfi, ex-presidente do TCPP