Sabe quando você inicia uma corrida ou treinamento na academia e começa a produzir suor? E quando você termina sua corrida ou treinamento e continua suando? E quando está fazendo uma refeição, principalmente se for “pesada”, e começa a sentir calor e leve sudorese? Essas são situações de aumento da termogênese, ou seja, a produção corporal de calor.
CONVERSÃO DE ENERGIA
Todas as células do corpo utilizam como fonte de energia a adenosina trifosfato (ATP). É uma fonte química utilizada em processos de síntese de moléculas (ex. proteínas e gordura), no transporte de íons atravessando a membrana celular e para a contração muscular. Como o estoque de ATP nas células é bem pequeno, o tempo todo moléculas de glicose e de ácidos graxos (gorduras) são convertidas em ATP.
CONVERSÃO INEFICIENTE
O processo de conversão da glicose ou ácidos graxos em ATP (energia química em energia química) tem eficiência de 35% apenas. Isso significa que 65% da energia química da glicose e ácidos graxos é convertida em energia térmica (calor). Na condição de repouso a produção de calor é relativamente pequena, porém suficiente para elevar a temperatura corporal em 1,3oC a cada hora. Óbvio que isso não pode acontecer, pois nossa temperatura corporal deve se manter estável em 36,5oC. Por isso, perdemos calor para o ambiente o tempo todo.
AUMENTO DA TERMOGÊNESE
Durante o exercício físico o gasto de ATP pelos músculos pode aumentar de 20 até 100 vezes. Isso obriga os processos de síntese de ATP a acelerarem proporcionalmente. A consequência é a maior produção de calor e a necessidade de acionar o mecanismo mais eficiente para perda de calor, a sudorese. O suor das glândulas sudoríparas que “brota” na pele evapora e leva consigo o calor. Perceba que termogênese e sudorese estão relacionadas com gasto de energia (calorias). Por isso, exercício físico é um meio eficiente para “queimar calorias” e perder o excesso de gordura acumulado no corpo. Ressalte-se que as calorias “não saem no suor”; a termogênese e o suor são consequências da queima calórica.
QUEDA LENTA DA TERMOGÊNESE
Quando o exercício físico é de intensidade moderada ou alta há uma aceleração do metabolismo para produção de ATP. Ao final do exercício a demanda de ATP diminui abruptamente, pois os músculos passam da condição de contração para repouso. Porém, os processos metabólicos desaceleram em três fases: rápida (poucos minutos), lenta (5 a 60 min) e ultralenta (1 a 24h). Por isso, o gasto calórico, a produção aumentada de calor e a sudorese podem persistir até algumas horas após o exercício. A sudorese persistente, mesmo após o banho, pode ser inconveniente, porém o gasto calórico adicional pode ajudar no emagrecimento.
DIMINUIÇÃO DA TERMOGÊNESE
A restrição calórica (dieta hipocalórica) é uma condição que regula para baixo o gasto energético, requerendo menor produção de ATP e gerando menos calor. O corpo possui sensores de disponibilidade de moléculas de energia e de estoques de energia (reservas de gordura). Durante a dieta restritiva, a disponibilidade de energia diminui e o corpo ativa mecanismos de preservação como a diminuição da taxa metabólica (gasto de energia). A perda de massa muscular acentua essa diminuição. Mounjaro e congêneres são anorexígenos (tiram a fome), induzindo a redução do consumo calórico. Num futuro próximo talvez seja disponibilizado um medicamento mais eficiente com efeito anorexígeno e termogênico.
A restrição calórica é uma condição que regula para baixo o gasto energético, com menor produção de ATP e de calor.
Referências
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