Tico-Tico no Fubá

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista que dá nome aos bois: Garantido e Caprichoso

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 13/09/2020
Horário 05:37

Uma das músicas brasileiras mais tocadas e gravadas mundo afora, com mais de 300 gravações, o choro "Tico-Tico no Fubá" já é centenário. Zequinha de Abreu compôs o choro em 1917. Ele morava em Santa Rita do Passa Quatro (SP), cidade natal do compositor. 
Zequinha recorreu a um piano que até hoje pertence à família do compositor. A família possui também a partitura original do "Tico-Tico no Fubá", que não deixa de ser um documento histórico. Todo ano a Prefeitura promove o Festival Zequinha de Abreu, no período de 19 a 24 de setembro.
Além do piano e da partitura, outra atração da mostra são os filmes que incluíram "Tico-Tico no Fubá" na trilha sonora. Ao todo, são sete filmes exibidos em telões para os visitantes. 
Entre os sete filmes estão cinco produções americanas e duas nacionais. Os filmes americanos são "Saludos Amigos", de 1942, "A Filha do Comandante", produção de 1943, "Escola de Sereias", de 1944, "Melodias Roubadas", do mesmo ano, e "Copacabana", de 1947, que tem Carmen Miranda no elenco e, claro, ela canta "Tico-Tico no Fubá" com a graça de sempre.
Já os dois filmes brasileiros são "Tico-Tico no Fubá", de 1952, e "A Luta", curta-metragem produzido em 2016. O filme de 1952, com o mesmo nome da música, retrata a paixão de Zequinha por uma mulher chamada Branca, vivida na telona por Tonia Carrero. O diretor é o italiano Adolfo Celi, então marido da atriz brasileira.
Além do "Tico-Tico no Fubá", outro grande sucesso de Zequinha é a valsa "Branca". Ele também ficou famoso com as valsas que compôs, como a citada "Branca" e "Tardes em Lindóia". No filme com o nome do choro, o compositor é interpretado pelo ator Anselmo Duarte. 
O filme é romanceado, a Branca real era outra. Zequinha compôs a valsa "Branca" em homenagem a uma menina de grande beleza, filha de um ferroviário da Companhia Paulista.
Na verdade, o filme não tem nada de autobiográfico. É que a família exigiu que fosse romanceado, segundo Leila de Abreu, neta do compositor. Enfim: Branca era uma criança que Zequinha achava bonita, sem qualquer intenção relativa à pedofilia.
"Tico-Tico no Fubá" está entre as músicas brasileiras mais tocadas e gravadas em todo o mundo, ao lado de "Garota de Ipanema", de Tom e Vinícius, e "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso. São mais de 300 gravações no Brasil e no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Detalhe: foram feitas duas letras para uma música que não tinha letra.
Uma das letras é a do Aloysio de Oliveira para o filme "Copacabana", onde Carmen Miranda canta o choro. A outra cantora que gravou "Tico-Tico no Fubá" com outra letra diferente foi Ademilde Fonseca. O autor é Eurico Barreiros, que fala em um certo "seu Nicolau". Benedito Lacerda, com sua flauta, acompanha Ademilde.
Altamiro Carrilho e Pixinguinha também "levaram o passarinho na flauta", assim como muitas orquestras e instrumentistas. A lista é extensa e estão nela, por exemplo, as orquestras de Ray Conniff e Percy Faith, Waldir Azevedo, Rafael Rabello, Benedito Costa, em impressionante performance com o cavaquinho, e Paco de Lucia, sem contar a Orquestra Filarmônica de Berlim.
Jazzistas também se encantaram com o tico-tico brasileiro. Uma das gravações é a do saxofonista Charlie Parker, que está mais para rumba do que para choro.  

DROPS

Quem odeia se esperneia.

Está tudo certo como 10 mais 10 são 21.

Vamos em frente que atrás vêm os credores e, agora, os cabos eleitorais.

Estamos todos na mesma canoa? Sei lá!
 

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