A novela “Corpo a Corpo” foi exibida pela Rede Globo às 20h entre 1984-85 e tinha como trama central, um suposto pacto feito com o Diabo, envolvendo duas mulheres, Tereza (Glória Menezes) e Eloá (Débora Duarte), mas dentre seus entrechos paralelos, um causou destaque: o preconceito racial envolvendo a personagem Sônia (Zezé Motta), até então um tema praticamente inédito nas novelas. Sônia era uma arquiteta que se envolvia afetivamente com um rapaz mais jovem e muito mais rico, Cláudio (Marcos Paulo). Contudo, a diferença que contava era a cor da pele, gerando revolta no pai do rapaz, o poderoso Alfredo Fraga Dantas (Hugo Carvana) e na ambiciosa Lúcia Gouveia (Joana Fomm), inimiga da moça. No entanto, o mais absurdo preconceito sofrido por Sônia, era o exercido por Odete (Zeni Pereira) a emprega da mansão Fraga Dantas, que não se conformava em ver uma negra como ela se envolvendo com um dos patrões. Odete era a vítima mais inocente, fruto da sua própria ignorância e falta de acesso ao longo de toda a vida. O destino folhetinesco da trama se incumbia de dar o castigo em forma de luva de pelica: Alfredo sofria um grave acidente e necessitava de transfusão de sangue, e a única pessoa capaz de doar para ele era Sônia. Com o gesto, Alfredo se redimia junto à nora, e, finalmente, Odete reconhecia a nobreza do caráter de Sônia. Drama de Gilberto Braga inesquecível.
O que ainda vale a pena...
Vivemos planejando, almejando, acalentando sonhos ao longo da vida. Pode chegar uma hora da vida, que a própria idade nos faz pensar: afinal, ainda há tempo para planejar algo? Vale a pena idealizar ações futuras se o prazo que resta parece tão curto? É hora de ser realista e viver só o hoje? Não há respostas definitivas, mas as duas coisas são importantes. A praticidade do hoje nos faz aproveitar melhor o que já temos e construímos e viver saborosamente cada experiência, sem grandes expectativas ou planos longínquos. No entanto, sonhar não envelhece. Traz alegria e paz para os dias, nos deixa mais ativos e funcionais. Sonhar nos mostra que ainda podemos mudar, nos transformar e que o aprendizado não tem hora para acabar. Não há formatura para a experiência de vida. Não seguramos nunca este canudo. Sempre há um curso de vida aqui e acolá, que nos faz repensar, refletir e ressignificar-se. Afinal, temos mais tempo livre para executar os antigos planos e descobrir novas paixões. Associamos a velhice ao fim dos desejos, como se estes fossem próprios da juventude e da vitalidade. Realizar algo novo é salutar: reduz o risco da fragilidade e diminui as chances de demência. Planejar estimula o cérebro, diminui as chances de depressão, fortalece a sensação de bem-estar e incrementa a vontade de viver. E não há pressa, vá com calma. Reduza as cobranças e dê pausas para simplesmente respirar e descansar. E redescubra o prazer que já existe na sua vida e, talvez, você ainda não tenha percebido. O que ainda vale a pena talvez esteja mais perto do que se imagina.
Dica da Semana
Novelas - Streaming
“Paraíso”:
Foi disponibilizada na plataforma Globoplay, a novela “Paraíso”, em sua versão original de 1982-83, escrita por Benedito Ruy Barbosa e levada ao ar às 18h na época. A história conta sobre o romance entre um peão, o Zeca Diabo (Kadu Moliterno) e uma moça de extrema religiosidade, a Santinha (Cristina Mullins). No elenco, a presença de vários atores falecidos que podem revistos: Elizângela, Cláudio Corrêa e Castro, Neuza Amaral, Caíque Ferreira, Tereza Rachel, Henriqueta Brieba, Sérgio Britto, dentre outros.