Tu pareces gigante que dorme

António Montenegro Fiúza

(…)
Tu pareces gigante que dorme
Sobre as águas do mar esquecido.
És um rei, sobranceiro ao oceano,
Parda névoa te cobre essa fronte,
Quando as nuvens baixando em ti pairam
Matizadas do sol no horizonte. (…)
O Pão d'Açúcar, Machado de Assis

A cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, terra de samba, encanto, música e alegria; eternizada nas vozes e instrumentos de inúmeros poetas, cantores, escritores, dramaturgos... cidade tão bela e diversa, que cabem nela municípios e comunidades que, por si só, apresentam encanto inigualável. 
Por vários anos, foi a capital administrativa e política do Brasil, deixando de o ser em meados do século passado; mas é sem dúvida, a capital cultural e artística, berço natural ou adotivo de uma grande diversidade de artistas, desde escritores, compositores, músicos, artistas plásticos, sambistas e maestros. Saudada pela voz inconfundível de Gilberto Gil com “Aquele abraço”, acarinhada por Tom Jobim, Adriana Calcanhoto, Martinho da Vila e muitos outros, desde o século XVI até ao presente.
À entrada, na  Baía de Guanabara, o Pão d’ Açúcar oferece vistas deslumbrantes sobre toda a baía e a cidade do Rio de Janeiro, nos seus aspectos turísticos relevantes: Corcovado, Copacabana e Botafogo e o destino final do famoso Bondinho – o terceiro teleférico do mundo, construído em 1912 e responsável pelo transporte de milhões de pessoas: entre turistas nacionais e internacionais, líderes políticos, personalidades culturais e desportivas.
Foi nesse mesmo penhasco, hoje considerado monumento natural, que fora fundada a Cidade do Rio de Janeiro, em 1565. E, desde então, a Cidade Maravilhosa, “cheia de encantos mil” e “coração do meu Brasil” vem crescendo e progredindo, em meio a varias vicissitudes, mas de olhos postos no futuro, sob a proteção do gigante de pedra.

(…)
Ruge o mar, a procela te açoita,
Feros ventos te açoitam rugindo;
O trovão lá rebrama furioso,
E impassível tu ficas sorrindo.
E da foice do tempo se solta
Sopro fero de breve eversão,
Quer feroz te roubar para sempre;
Tu sorris, qual sorris ao trovão.
Salve, altivo gigante, mais forte
Que do tempo o cruel bafejar,
Que avançado campeias nos mares,
Seus rugidos calado a escutar.
O Pão d'Açúcar, Machado de Assis


 

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