Uma reflexão necessária para nós, homens

OPINIÃO - Helber Henrique Guedes

Data 07/03/2026
Horário 05:00

Nos últimos tempos, uma palavra tem aparecido com cada vez mais frequência nas notícias: feminicídio. Infelizmente, não porque o problema surgiu agora, mas porque a violência contra as mulheres passou a ser mais denunciada e visibilizada. Todos os dias somos confrontados com histórias de agressões, perseguições e assassinatos que revelam uma realidade muito dura: muitas mulheres ainda vivem sob ameaça justamente dentro de relações que deveriam ser de cuidado e respeito.
Essa realidade também aparece nos dados da nossa própria cidade. Levantamento divulgado pelo g1, com base em informações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), mostra que o número de medidas protetivas concedidas pela Justiça em Presidente Prudente cresceu 86% nos últimos anos, passando de 624 casos em 2020 para 1.841 em 2024. O dado mostra duas coisas ao mesmo tempo: mais denúncias e também a dimensão real de um problema que sempre esteve presente. Dados mais recentes do Tribunal de Justiça de São Paulo mostram que, apenas nos dois primeiros meses de 2026, já foram registradas 164 medidas protetivas em Presidente Prudente, o que reforça que a violência contra a mulher continua sendo uma realidade que exige atenção permanente da sociedade.
É verdade que essa discussão incomoda alguns. Não se trata de algo recente. É uma cultura que ensinou os homens a se comportarem como donos. Donos da casa, donos das decisões e, muitas vezes, donos da própria mulher. Muitos ainda acreditam que, ao casar ou ao namorar, passam a ter algum tipo de posse sobre a vida da companheira, como se as pessoas pudessem se transformar em propriedade.
Combater a violência contra a mulher não pode ser uma tarefa apenas das mulheres. É uma responsabilidade de todos, inclusive nossa, dos homens.
Já passou da hora de assumirmos isso publicamente. De criar também um movimento entre nós, homens, que diga claramente que esse comportamento não pode mais ser tolerado. Muitas vezes encontramos homens que são valentes no bar ou na roda de amigos, mas que reservam a maior covardia para dentro de casa, quando levantam a mão contra uma mulher.
As leis são fundamentais para proteger e punir, e o Brasil avançou muito com instrumentos como a Lei Maria da Penha. Mas precisamos discutir como educamos nossos filhos. Durante muito tempo, muitos pais ensinaram que o menino precisava ser “machão”, provar sua virilidade, enquanto às meninas eram impostos padrões de submissão e pureza. Essa desigualdade ajudou a naturalizar comportamentos violentos e autoritários. Essa lógica precisa ser quebrada.
Não é normal o grau de violência que ainda existe contra as mulheres. Não é normal o assédio constante, as provocações, o medo que tantas mulheres sentem no cotidiano. Muitas vezes elas sequer denunciam porque sabem que a violência pode aumentar depois da denúncia.
Respeito, igualdade e dignidade não são concessões que os homens oferecem às mulheres. São condições básicas para qualquer sociedade que queira se considerar justa.
Por isso, esse debate precisa sair das datas simbólicas e entrar no cotidiano. Precisa acontecer nas conversas da escola, no ambiente de trabalho, nos escritórios, nas universidades, nos sindicatos e em todos os espaços. Precisamos falar entre nós, homens, questionar comportamentos e romper com a cultura que normaliza a violência.
Combater a violência contra as mulheres também é fazer trabalho de base: dialogar, educar e construir um movimento que deixe claro que nenhum tipo de agressão ou desrespeito pode ser tolerado.

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