Vereadores rejeitam vetos a projetos sobre “salas do silêncio” e alimentação em escolas de Prudente

Casa de Leis explica que parlamentares decidiram manter textos originais de propostas, permitindo que elas avancem para se tornarem leis, mesmo com negativa do Executivo

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 20/02/2026
Horário 12:17
Foto: Câmara Municipal de Presidente Prudente
Parlamentares deliberaram 29 requerimentos de providência e informações
Parlamentares deliberaram 29 requerimentos de providência e informações

Os vereadores da Câmara Municipal de Presidente Prudente rejeitaram, na sessão ordinária desta quinta-feira, dois vetos do Poder Executivo a dois Projetos de Lei, com 13 votos, cada. Um deles é o PL 336/19, de autoria dos parlamentares Edgar Caldeira (União) e Guilherme Alencar (Republicanos), que proíbe a comercialização, doação, compartilhamento e consumo de alimentos ultraprocessados e industrializados em unidades escolares públicas e privadas de ensino infantil e fundamental da cidade. 

O outro PL, 349/19, também de Edgar, trata da criação de Espaços de Acolhimento Sensorial para autorregulação de pessoas autistas e neuroatípicas, as chamadas “salas do silêncio”, nas unidades de ensino e saúde municipal. Na oportunidade, outras oito propostas foram aprovadas. 

“Cabe ressaltar que, quando um veto total é rejeitado, significa que os vereadores decidiram manter o texto original do projeto, permitindo que ele avance para se tornar lei”, explica a Casa de Leis. Procurada, a Prefeitura não se manifestou sobre o assunto na manhã desta sexta-feira.

Alimentação saudável

O Projeto de Lei 336, que trata dos produtos ultraprocessados e industrializados com gorduras trans, visa promover a saúde e o bem-estar das crianças e adolescentes matriculados na cidade, conforme os autores. Ele foi aprovado em primeira e segunda discussões em 24 de novembro do ano passado. 

A proposta define como alimentos ultraprocessados os previstos no Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde e, como alimentos industrializados que contenham gorduras trans, os produtos cujos rótulos indiquem como ingredientes: gordura parcialmente hidrogenada, gordura vegetal hidrogenada, óleo vegetal hidrogenado, ou interesterificado e alimentos com alta concentração de açúcares.

“Os alunos não poderão consumir dentro das dependências escolares os alimentos proibidos, ainda que tenham sido trazidos de casa, evitando-se situações de exposição, oferta ou incentivo ao consumo por parte de outros colegas”, destaca o PL.

A medida ainda indica que fica a cargo do Poder Executivo a regulamentação da lei, por decreto, estabelecendo critérios técnicos mínimos para adequação das unidades escolares; regras de fiscalização e monitoramento do cumprimento da lei; além de condições de revogação, sanções e penalidades em caso de descumprimento.

“A proposta visa alinhar-se às diretrizes do PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar], instituído pela Lei Federal 11.947/2009, e às Resoluções FNDE 06/2020, 26/2013 e 38/2009, que estabelecem padrões de qualidade nutricional e orientações para uma alimentação adequada e saudável no ambiente escolar”, apontam os vereadores.

Salas do silêncio

Já o PL 349 estabelece a criação de Espaços de Acolhimento Sensorial, também conhecidos como salas de descompressão ou desaceleração, nas unidades de ensino (educação infantil e ensinos fundamental e médio) e nas unidades de saúde da rede pública municipal. 

A indicação prevê que tais salas de acomodação sensorial deverão ser reservadas, munidas de fones redutores de ruído e objetos reguladores, além de baixo estímulo visual e sonoro. “A proposta tem como objetivo garantir um espaço tranquilo, munidos de objetos reguladores adequados, com o intuito de aliviar sobrecargas sensoriais e evitar crises e comportamentos disruptivos”, aponta Edgar.

“Tem-se que a criação de salas de silêncio, nos moldes apontados no PL, é essencial para ajudar autistas a recuperar o equilíbrio sensorial e se sentirem mais confortáveis em seu ambiente e, consequentemente, garantir sua inclusão no sistema escolar. Além disso, a disponibilização dessas salas em escolas de todos os níveis de escolaridade pode ajudar a conscientizar a sociedade sobre a importância de garantir ambientes inclusivos e acessíveis para todas as pessoas”, prossegue o vereador.

Ordem do dia

Ainda na sessão desta quinta-feira, adiada por conta do ponto facultativo de carnaval, os parlamentares prudentino deliberaram o PL 376/19, de Guilherme Alencar, que institui diretrizes de transparência, participação social e avaliação da satisfação dos usuários dos serviços públicos de saúde no município.

Também foi aprovado o Projeto de Resolução 15/19, da vereadora Sara Lopes (União), que cria a Frente Parlamentar da Inclusão da Câmara Municipal.

Ainda, no expediente com votação, foram deliberados: 29 Requerimentos de Providência e Informações; 41 de Congratulações; seis de Moções de Aplausos; e quatro Cartões de Prata. No expediente sem votação e de leitura dos ofícios, foram encaminhadas 61 indicações de melhorias aos bairros da cidade.
 

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