Violência contra a mulher exige vigilância permanente e resposta eficaz

EDITORIAL -

Data 16/07/2026
Horário 04:15

Os números registrados pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Presidente Prudente em 2025 são contundentes e merecem uma reflexão profunda. Foram 1.665 boletins de ocorrência relacionados à violência contra a mulher, 1.195 pedidos de medidas protetivas de urgência e 177 prisões efetuadas. Mais do que estatísticas, esses dados representam vidas marcadas pelo medo, pela dor e pela violação de direitos fundamentais.
Ao mesmo tempo em que revelam a persistência de um grave problema social, os indicadores evidenciam a relevância do trabalho desempenhado pela DDM. A atuação especializada da unidade tem sido essencial para acolher vítimas, garantir proteção e responsabilizar agressores, fortalecendo a rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar.
A implantação do atendimento em regime de 24 horas, desde 8 de março de 2025, representa um avanço significativo. A violência não escolhe dia nem horário para acontecer. Por isso, oferecer atendimento ininterrupto significa ampliar as possibilidades de denúncia, assegurar respostas mais rápidas e evitar que muitas vítimas permaneçam desamparadas nos momentos mais críticos.
É importante destacar que a medida vai além da ampliação do expediente. Ela simboliza o reconhecimento de que o combate à violência contra a mulher deve ser tratado como prioridade permanente do poder público. O acesso facilitado ao registro de ocorrências, à solicitação de medidas protetivas e às demais providências legais fortalece a confiança das mulheres nas instituições e pode ser decisivo para interromper ciclos de violência que, muitas vezes, perduram por anos.
Contudo, os elevados números também demonstram que a repressão, embora indispensável, não basta. O enfrentamento da violência de gênero exige políticas públicas integradas, investimentos em prevenção, educação para o respeito e igualdade, fortalecimento da rede de assistência e conscientização da sociedade. Romper o silêncio continua sendo um dos maiores desafios, e isso depende de um ambiente em que as vítimas encontrem acolhimento, proteção e credibilidade.
Mais do que celebrar os avanços conquistados, é necessário reconhecer que cada boletim registrado representa uma violência que poderia ter sido evitada. O verdadeiro sucesso será medido não pelo aumento das estatísticas de atendimento, mas pela redução dos casos de violência. Até que essa realidade seja alcançada, manter uma estrutura especializada, acessível e eficiente continuará sendo uma necessidade indispensável para a proteção das mulheres e para a construção de uma sociedade mais justa e segura.

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