Viver é ter que se relacionar com alguém

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 07/04/2026
Horário 06:00

Eu estou morando em uma cidade nova há pouco mais de dois anos e meio e claro que não tenho ainda muita segurança sobre várias coisas, especialmente sobre relacionamentos. Todos os dias são situações novas, alguém diferente, coisas que não tinha antes porque já vivia muito bem assentado na cidade e com o círculo de relações pessoais que possuía.
E aí, uma conclusão que eu chego, é que se quiser paz em seu coração, pegue as coisas e vá viver longe, muito longe de qualquer um que seja intitulado “ser humano”. Isso mesmo. Ou gente, se preferir. Ou pessoa. Enfim, qualquer um que cedo ou tarde vai tirar o seu sossego apenas pelo simples fato de existir. 
Não, não estou nervoso com nada e nem com ninguém, mas apenas constatando que relacionamentos não são fáceis e que sobreviver a eles é uma verdadeira arte, uma espécie de molejo que precisamos ter diante das danças da vida.
Eu até me considero de fácil relacionamento. Sou um tanto teimoso, é verdade, mas aprendi aos poucos a levar as pessoas. Não sei se por força da minha profissão como jornalista, mas tenho uma boa ideia do que é viver em paz com quem quer que seja. E mais do que isso, aprendi também a prever se o relacionamento em questão será bom, ruim ou morno. 
Dizem os especialistas que esta tática de leitura humana é para poucos e eu até concordo. O que sei, porém, é que sendo alguém especial ou não, consigo me precaver sempre muito bem dos rolos que se apresentam em minha vida. 
Há táticas para isso? Não sei se conseguiriam produzir algum manual, mas com certeza um punhado de dicas eu conseguiria dar e um delas é já observar a educação. 
Educação vem de berço, claro, mas depois de um tempo é de responsabilidade da pessoa e quando alguém já se aproxima sem o mínimo necessário para um bom cumprimento, é hora de avaliar. Não que a falta de um “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite” sejam definitivos, mas indicam problemas pela frente. E a eles, seguem-se atos simples como olhar nos olhos, prestar atenção na conversa, vestir-se bem e até saber a hora certa de parar o contato. 
Outras situações que me fazem sacar o golpe: o comportamento em situações pequenas, se fala bem ou mal de alguém pelas costas, se trata mal uma pessoa; ou a relação com o tempo e a presença, especialmente aqueles que não têm tempo para você, mas exigem sua presença quando precisam.
E por fim, outra dica infalível para saber se você está diante de uma armadilha no relacionamento: frases que são emitidas. Tem gente que se entrega só nas frases iniciais de uma conversa e aí você sabe que é hora de vazar. Por exemplo, quando alguém começa dizendo: “Olha eu sou uma pessoa que...”, já me soa uma justificativa para o que vem pela frente. Esta frase está no mesmo grau da “Pode perguntar para os outros sobre mim...” Ah, sério que terei que fazer uma pesquisa?
Frases assim são como cartão de visita de quem já chega cobrando: "Aceite essa versão de mim que estou entregando agora, porque é a única que você vai ter". 
É hora de vazar ou não?

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