Prefeitura de Prudente - Antes de ser repassado ao Estado, relatório foi apresentado ao chefe do Executivo prudentino

Foto: Prefeitura de Prudente - Antes de ser repassado ao Estado, relatório foi apresentado ao chefe do Executivo prudentino

DE ,MÃE PARA FILHO

Prudente pleiteia certificação de cidade livre de transmissão vertical de HIV

Extenso relatório foi elaborado por uma comissão municipal; último caso registrado na cidade foi em 2008, informa Programa DST/Aids

  • 14/08/2019 04:00
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

A transmissão vertical é a infecção pelo vírus HIV passada da mãe para o filho, ao longo do período de gestação. Isso pode ocorrer de forma intrauterina, no parto ou pelo aleitamento materno. Mas com o avanço da medicina, o acompanhamento médico é primordial para evitar que isso ocorra. Em Presidente Prudente, o último caso registrado foi em 2008. Levando isso em conta e todo o trabalho desenvolvido, o município pode se tornar a 4ª cidade do país a ser certificada como livre da transmissão vertical. Hoje, o título foi entregue somente para Curitiba (PR) e Umuarama (PR), ao passo que a capital paulista também pleiteia a certificação.

Para tanto, um relatório foi elaborado por uma comissão municipal, formada pela VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal), o Programa DST/Aids e o Hospital Estadual Doutor Odilo Antunes de Siqueira, que tem acompanhado o cenário prudentino no que tange à transmissão vertical e realizado a montagem do documento. “Apenas neste ano, 12 partos foram realizados e todos os bebês nasceram livres do HIV em Prudente”, pontua a Prefeitura. Outras seis gestantes com a doença estão sendo acompanhadas pela rede municipal.

O documento finalizado foi entregue ontem para uma comissão estadual, explica o coordenador do Programa DST/Aids, Jefferson Saviolo, que determinará a admissibilidade do pedido e posteriormente encaminhará para avaliação em âmbito federal. “Na última etapa, a análise será feita por uma convenção nacional, por parte do Ministério da Saúde”, explica. O acompanhamento incluirá visitas técnicas aos serviços de atenção básica do município, para confirmar os dados apresentados no relatório.

Mas “a qualidade no serviço prestado” na atenção básica é o que traz Prudente a esse patamar, segundo o chefe da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Valmir da Silva Pinto. “A grande importância nisso é que os munícipes tenham conhecimento do bom trabalho que é feito no acompanhamento desse trabalho, tanto pelo centro de testagem como no cotidiano. É como se fosse uma certificação de atenção básica”, frisa.

O relatório foi apresentado ontem ao prefeito Nelson Roberto Bugalho (PTB) e ao vice-prefeito Douglas Kato Pauluzi (PTB).

Acompanhamento e certificado

E “se hoje nasce uma criança com HIV, é porque houve alguma falha médica”. É desta forma que coloca Jefferson, ao ser questionado sobre o que tem sido feito no município para que o cenário, desde 2008 - último registro -, continue dessa forma. Isso porque, segundo ele, existe um cronograma que é seguido pontualmente, a fim de promover um acompanhamento de qualidade, e de forma que não resulte na transmissão vertical.

Uma vez a cidade reconhecida, o coordenador argumenta ainda que “acaba tendo um peso maior”, no sentido de manter esse status. “Eventualmente conseguindo o certificado, não sabemos como será o acompanhamento do Ministério da Saúde quanto ao serviço realizado, porém, isso deve existir”, expõe.

 

Critérios

A pesquisa que analisa o cenário apresentado incluiu como indicadores de impacto as taxas de detecção de HIV entre crianças por ano de nascimento e a proporção daquelas com até 18 meses de idade expostas à patologia em cidades com mais de 100 mil habitantes. E para conseguir o certificado, é necessário que o município atinja as metas de impacto: apresentar taxa de detecção de HIV de 0,3 por mil nascidos vivos e proporção anual inferior a 2% de crianças expostas ao vírus que se infectaram, como preconiza o Ministério da Saúde.

 

Números

 

2008

Ano em que o último caso foi registrado em Prudente

 

12

partos foram realizados em 2019, sem a transmissão

 

100 mil

é o número mínimo de habitantes para a cidade ser analisada