Governo do Estado - Coletiva reuniu autoridades do Estado, responsáveis por traçar ações futuras em relação à doença

Foto: Governo do Estado - Coletiva reuniu autoridades do Estado, responsáveis por traçar ações futuras em relação à doença

TENSÃO NO BRASIL

Coronavírus: governos pedem calma

Na terça-feira, Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso da doença no país, acometido em um idoso de 61 anos, morador da capital paulista

  • 27/02/2020 05:55
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Desde dezembro, o mundo todo tem lidado com um novo tipo de vírus do agente coronavírus, chamado de coronavírus (SARS-CoV-2) ou Covid-19, que surgiu na China. A novidade também trouxe uma tensão, em vista do rápido nível de contágio que a doença mostrou e, consequentemente, aumento exponencial de casos e algumas mortes. Tal tensão se tornou maior em terras brasileiras, uma vez que o Ministério da Saúde confirmou, na terça-feira, o primeiro caso importado positivo da patologia, que acometeu um homem de 61 anos, morador da capital paulista. O cenário fez com que os governos de esfera municipal, estadual e federal se unissem, a fim de traçar um plano com ações para que a situação não saia do controle. E ontem, em entrevista coletiva organizada pelo governo do Estado de São Paulo, o primeiro pedido replicado por diversas vezes à população foi: calma.

De antemão e em nível mais local, pensando na área onde se encontra a vítima infectada pelo vírus, a Secretaria de Estado da Saúde realizou, na manhã de ontem, a primeira reunião do Centro de Contingência do Coronavírus, criado para monitorar e coordenar ações contra a propagação do novo coronavírus. O primeiro caso de Covid-19 é de um residente na capital, que esteve em fevereiro na Itália, e que apresentou sintomas da doença após a chegada ao país.

No momento, o homem encontra-se isolado na própria casa, após recomendações médicas, onde permanece em quarentena até findar os sintomas, uma vez que não há uma cura exata. “Ele está bem”, disse o coordenador do Centro de Contingência, na coletiva, o médico infectologista David Uip. Mas, além dele, outros 16 passageiros que estiveram no mesmo voo que ele seguem em observação, mas não em isolamento, pois são assintomáticos, assim como outros 30 familiares que o idoso manteve contato. No país, hoje existem 20 casos suspeitos e outros 59 foram descartados.

Questionado sobre o local que residem esses outros passageiros que dividiram voo com o morador da capital paulista, Solange Saboia, coordenadora da Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde), afirma que são informações privativas, mas o caminho percorrido por elas está sendo traçado, assim como foi feito com o idoso. Tais pessoas são chamadas de “contatantes”, traduzindo, pessoas que tiveram contato com suspeitos ou com o homem já confirmado, mas que ainda não são suspeitos também, em vista de não terem sintomas.

No entanto, o infectologista lembra que a doença possui 14 dias de encubação, e não necessariamente os sintomas podem aparecer logo de início. Então, por mais que pareça confuso, a todo tempo a calma foi mencionada. “Para ser tratado como suspeito, é necessário ter viajado para um dos países que têm incidência [veja saiba mais] e apresentar um dos sintomas: febre, tosse e dificuldade para respirar, associado, por exemplo, como uma dor de cabeça”, completa David. Fora isso, ele garante que associar qualquer ponto mínimo que possa remeter à doença faz com que a situação possa se tornar um caos e “um desespero até então desnecessários”.

“Mas os protocolos estão sendo seguidos”, como informado pelos governos. De forma parecida, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o infectologista David Uip e o secretário-executivo de Saúde de São Paulo, Alberto Kamura, bateram na mesma tecla em duas coisas, além de salientar a necessidade de calma: existe um preparo para lidar com a patologia, assim como foi enfrentado o vírus H1N1; e a orientação de não procurar o sistema de saúde, exceto em casos de possuir mais de um dos sintomas, ter tido contato com um suspeito ou infectado e ter viajado aos países mencionados.

Pois, caso contrário, qualquer situação e preocupação desnecessária será sinônimo de caos e desespero. “Naturalmente, ocorreu hoje [ontem] uma supernotificação, com pessoas se apresentando e procurando auxílio. Estamos monitorando tudo, mas é necessário ter calma”, reforçou Solange.

TRANSPORTE À

CAPITAL DE SP

Com a notícia, as empresas de transporte instaladas ou não em Prudente, mas que oferecem passagens para ir e voltar de São Paulo, foram procuradas. A Gol Linhas Áreas informa que não opera voos para os países que apresentam casos confirmados e que não sofreu impacto até o momento com relação à doença. No entanto, “vem seguindo recomendações do órgão sanitário e tomando as medidas cabíveis”.

Assim como a Azul Companhia Aérea, que oferece voo até Campinas (SP), e expõe que está monitorando a situação e que “segue todas as recomendações feitas pelos órgãos reguladores e Ministério da Saúde, bem como as orientações de autoridades internacionais, para os seus tripulantes e clientes”.

Já a Andorinha resumiu que “a empresa aguarda orientação das agências reguladoras, bem como, do Ministério da Saúde, com relação aos procedimentos a serem adotados”. A Viação Garcia e a Buser não responderam até o fechamento desta edição.

SAIBA MAIS

Lista de países em monitoramento de casos suspeitos pelo Brasil: Alemanha, Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, França, Irã, Itália, Japão, Malásia, Tailândia, Vietnã e Singapura.

DICAS DE PREVENÇÃO

- Cobrir a boca e nariz ao tossir ou espirrar;

- Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

- Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

- Não compartilhar objetos de uso pessoal;

- Limpar regularmente o ambiente e mantê-lo ventilado;

- Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos com água e sabão ou usar antisséptico de mãos à base de álcool;

- Deslocamentos não devem ser realizados enquanto a pessoa estiver doente;

- Quem for viajar aos locais com circulação do vírus deve evitar contato com pessoas doentes, animais (vivos ou mortos), e a circulação em mercados de animais e seus produtos.

Fonte: Governo do Estado