Impostômetro: faturamento das 53 cidades do oeste paulista cresce 9,7% e chega a R$ 823 milhões

Dados da Associação Comercial de São Paulo indicam que arrecadação com tributos na região teve aumento real de R$ 72.968.757 de 2024 para 2025

REGIÃO - MELLINA DOMINATO

Data 18/01/2026
Horário 04:03
Foto: Freepik
“Loucura para empresários”: dois sistemas tributários estarão “rodando” ao mesmo tempo durante 4 anos
“Loucura para empresários”: dois sistemas tributários estarão “rodando” ao mesmo tempo durante 4 anos

No oeste paulista, todos os 53 municípios da 10ª RA (Região Administrativa) registraram alta no faturamento com tributos, em 2025, segundo dados obtidos pela reportagem em levantamento realizado no portal eletrônico do Impostômetro, como foi batizado o Sistema Permanente de Acompanhamento das Receitas Tributárias, da ACSP (Associação Comercial de São Paulo). No ano passado, a arrecadação chegou a R$ 823.676.077,00, montante 9,7% mais alto que os R$ 750.707.320,00 de 2024, ou seja, um acréscimo real de R$ 72.968.757 de um ano para outro.

Em Presidente Prudente, capital regional, a arrecadação passou de R$ 321.382.167,00, em 2024, para R$ 352.620.513,00, no ano passado, aumento também de 9,7%, que representa um total de R$ 31.238.346. Confira a evolução de todas as cidades na tabela.

Aumento dos impostos

O economista Alexandre Godinho Bertoncello explica que são três fatores que podem fazer os impostos majorarem: o aumento da atividade econômica, que significa mais empresas que iriam arrecadar mais impostos. Ou, o que vem acontecendo atualmente, que é a elevação da alíquota de impostos: a mesma quantidade de empresas, que fatura o mesmo montante, mas com impostos mais altos. “Então vamos imaginar, se no final de tudo fosse 100 e o imposto fosse 3, ia arrecadar 3. Se o imposto passa a ser 4, vai arrecadar 4 para o mesmo 100 arrecadado. Então, isso, normalmente, é o que está acontecendo”, frisa. 

O outro fator, conforme Alexandre, é a própria inflação. “Quando a gente coloca um aumento de 9,7% na questão dos impostos, quer dizer que, descontada a inflação, que foi aí perto de 5%, o resto é aumento real. Então, são três fatores que influenciam e que, infelizmente, da maneira com que a gente está, com a nova reforma tributária, vai aumentar cada vez mais o percentual de impostos pagos. Então, você tem tanto um aumento do faturamento, mas você tem também um aumento da alíquota”, ressalta.

Quanto ao que se deve essa maior fatia arrecadada, o economista esclarece que, neste ponto, deve ser considerada a elevação no faturamento, resultado provável de menos sonegação, como novo anúncio de monitoramento do Pix e, agora, com a própria reforma tributária. 

“Isso vai fazer faz com que as pessoas tenham mais medo e a economia informal vai diminuindo. Então, não quer dizer necessariamente que a economia cresceu, mas imagina quantas pessoas viraram MEI [Microempreendedor Individual] ou, mesmo sendo MEI, começaram a tirar nota de tudo, passaram a ser simples e, isso é um dos fatores”, destaca. “Talvez, o maior fator é o medo da arrecadação, não o medo da fiscalização da receita”, ainda comenta o economista.

Alívio aos cofres?

Questionado se uma maior arrecadação de tributos consequentemente traz alívio aos cofres públicos, Alexandre afirma que, “toda a prefeitura consciente, hoje, está no azul”. “É só a gente observar esse aumento. Você não teve um aumento do custo de funcionários, não teve um aumento da inflação acima de 9% e teve um aumento de receita. Caso as prefeituras tivessem proporcionalmente gasto a mesma coisa, estaria já sobrando dinheiro em caixa. E se elas buscassem a eficiência, estariam completamente no azul”, frisa.

O economista comenta, no entanto, que infelizmente não é cenário em alguns municípios, que, apesar de terem registrado majoração no que entrou em caixa, estas acabaram também elevando suas despesas. “Curiosamente, aumentaram seus gastos sem melhorar a qualidade de vida da população. Então, esse é um fator importante”, salienta.

Quando se preocupar:

Um cenário que merece atenção da população, conforme Alexandre, se trata do chamado “efeito rebote”. Isso acontece, por exemplo, quando a cidade conta com uma empresa que paga ISS (Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza) mais caro. “Ela aceita isso até um certo tempo, mas depois essa empresa muda para uma cidade, às vezes vizinha, e vai pagar um imposto mais barato. Isso faz com que diminua a oferta de empregos ou a qualidade de vida da população”, cita.

“E um fator importante e relevante que faz todo o sentido já deixar o leitor atento é que a reforma tributária entrou em vigor. A CBS [Contribuição sobre Bens e Serviços] e IBS [Imposto sobre Bens e Serviços] já estão sendo cobrados. Um é federal e o outro é estadual/municipal e que, gradativamente, nos próximos três anos vão aumentar”, alerta Alexandre.

A “loucura para os empresários”, de acordo com o especialista, é que dois sistemas tributários estarão “rodando” ao mesmo tempo durante quatro anos. “Isso vai causar mais insegurança jurídica, aumento dos impostos e da reforma tributária em particular, da liberdade para os prefeitos aumentarem o IPTU [Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana] da maneira que bem entenderem”, lembra.

“Então, depois de uma eleição ou de um período que não é eleitoral, corre-se o risco de a gente ver IPTUs aumentando acima da inflação, justamente porque a reforma tributária deu essa liberdade para os prefeitos”, finaliza o economista.

SAIBA MAIS
A ferramenta

O Impostômetro considera todos os valores arrecadados pelas três esferas de governo a título de tributos: impostos, taxas e contribuições, incluindo as multas, juros e correção monetária. Em relação aos municípios, o somatório considera as arrecadações de tributos municipais, destacando como os principais:  IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) e o ITBI (Imposto Sobre Transmissão de Bens e Imóveis). Criada em 2005, pela ACSP, a plataforma chama a atenção da população em relação a quantidade de carga tributária dedicada ao arrecadamento para as contas públicas.

IMPOSTÔMETRO: ARRECADAÇÃO NO OESTE PAULISTA
Município: Montante arrecadado em 2024: Montante arrecadado em 2025:
Adamantina R$ 29.270.359,00 R$ 32.115.438,00
Alfredo Marcondes R$ 3.078.155,00 R$ 3.377.351,00
Álvares Machado R$ 11.292.779,00 R$ 12.390.437,00
Anhumas R$ 1.627.061,00 R$ 1.785.212,00
Caiabu R$ 2.535.353,00 R$ 2.781.790,00
Caiuá R$ 6.221.900,00 R$ 6.826.669,00
Dracena R$ 38.597.644,00 R$ 42.349.335,00
Emilianópolis R$ 2.494.516,00 R$ 2.736.983,00
Estrela do Norte R$ 3.569.054,00 R$ 3.915.967,00
Euclides da Cunha Paulista R$ 3.092.463,00 R$ 3.393.051,00
Flora Rica R$ 1.329.430,00 R$ 1.458.651,00
Flórida Paulista R$ 5.674.061,00 R$ 6.225.580,00
Iepê R$ 4.606.036,00 R$ 5.053.742,00
Indiana R$ 1.866.253,00 R$ 2.047.653,00
Inúbia Paulista R$ 3.143.965,00 R$ 3.449.558,00
Irapuru R$ 3.071.529,00 R$ 3.370.082,00
Junqueirópolis R$ 15.134.161,00 R$ 16.605.201,00
Lucélia R$ 12.035.826,00 R$ 13.205.708,00
Marabá Paulista R$ 3.430.767,00 R$ 3.764.237,00
Mariápolis R$ 1.536.180,00 R$ 1.685.497,00
Martinópolis R$ 13.663.353,00 R$ 14.991.431,00
Mirante do Paranapanema R$ 8.281.607,00 R$ 9.086.579,00
Monte Castelo R$ 2.720.974,00 R$ 2.985.453,00
Nantes R$ 2.900.694,00 R$ 3.182.642,00
Narandiba R$ 3.414.149,00 R$ 3.746.004,00
Nova Guataporanga R$ 2.287.516,00 R$ 2.509.863,00
Osvaldo Cruz R$ 23.929.760,00 R$ 26.255.733,00
Ouro Verde R$ 2.158.588,00 R$ 2.368.403,00
Pacaembu R$ 7.215.156,00 R$ 7.916.470,00
Panorama R$ 6.431.694,00 R$ 7.056.855,00
Pauliceia R$ 8.532.538,00 R$ 9.361.901,00
Piquerobi R$ 2.396.963,00 R$ 2.629.948,00
Pirapozinho R$ 19.625.927,00 R$ 21.533.567,00
Pracinha R$ 1.099.919,00 R$ 1.206.831,00
Presidente Bernardes R$ 11.353.906,00 R$ 12.457.506,00
Presidente Epitácio R$ 17.586.872,00 R$ 19.296.316,00
Presidente Prudente R$ 321.382.167,00 R$ 352.620.513,00
Presidente Venceslau R$ 33.965.411,00 R$ 37.266.849,00
Rancharia R$ 17.592.738,00 R$ 19.302.752,00
Regente Feijó R$ 21.549.383,00 R$ 23.643.983,00
Ribeirão dos Índios R$ 1.669.214,00 R$ 1.831.462,00
Rosana R$ 11.007.199,00 R$ 12.077.098,00
Sagres R$ 888.917,00 R$ 975.320,00
Salmourão R$ 1.865.997,00 R$ 2.047.372,00
Sandovalina R$ 2.543.306,00 R$ 2.790.516,00
Santa Mercedes R$ 1.979.672,00 R$ 2.172.096,00
Santo Anastácio R$ 18.736.683,00 R$ 20.557.888,00
Santo Expedito R$ 500.209,00 R$ 548.829,00
São João do Pau d’Alho R$ 3.361.571,00 R$ 3.688.316,00
Taciba R$ 5.020.928,00 R$ 5.508.963,00
Tarabai R$ 2.745.850,00 R$ 3.012.747,00
Teodoro Sampaio R$ 10.262.571,00 R$ 11.260.093,00
Tupi Paulista R$ 8.428.396,00 R$ 9.247.636,00
TOTAL: R$ 750.707.320,00 R$ 823.676.077,00
Fonte: https://impostometro.com.br/

Arquivo


Alexandre: “Toda Prefeitura consciente, hoje, está no azul”

Arquivo/O Imparcial/Maurício Delfim Fotografia


Em Prudente, arrecadação passou de R$ 321 milhões, em 2024, para R$ 352 milhões, no ano passado

Publicidade

Veja também