Crise

  • 20/08/2019 02:32
  • Arlette Piai

Vivemos hoje no Brasil uma fase histórica caracterizada como crise. A palavra grega crise vem do grego krísis, pelo latim crisis que significa "separação, passagem, estreita, afastamento". É entendida no geral como acontecimentos que rompem o equilíbrio com ocorrência negativa ou grave. A ideia de crise é aplicada em qualquer contexto humano, seja individual, coletivo ou abrangendo toda uma nação. No ideograma chinês, estudiosos de mandarim afirmam que a tradução mais exata desse vocábulo corresponde a “momento crucial de perigo”.

É natural ninguém desejar sair da zona de conforto, porque gera dificuldade e pode ser doído. Entretanto, se ela não ocorresse, provavelmente, tivéssemos ainda próximos dos homens da caverna. No Brasil o lado positivo da crise é justificado quando damos conta que desde o início da nossa história até o tempo em que estamos vivendo, nunca deputado, senador, banqueiro, governador, ex-presidente, etc. foram presos. Cadeia sempre foi para infratores indefesos, pobres e negros.  

A crise brasileira que vivemos tem levado os brasileiros à maior participação da vida política como não tem ocorrido há décadas. Em ambiente de trabalho, praças e até em bares, todos discutem política, sabem o nome dos melhores e piores representantes. E os próprios políticos que camuflavam atos criminosos dos seus comparsas, hoje estão denunciando-os, assim desempenhando o papel que lhes é devido. Por exemplo, a jurista e deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), autora do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff e recordista com mais de 2 milhões de votos, protocolou pedido de impeachment contra o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, justificando que ele usa de seu cargo para impedir investigações contra ele mesmo, o que é  crime de responsabilidade. Justifica: “O Supremo Tribunal Federal é importantíssimo, por isso precisamos cuidar para que seus membros não exorbitem no exercício do poder”.

Janaina Paschoal declarou também que a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Toffoli determinou a suspensão de investigações criminais pelo país que usem dados detalhados de órgãos de controle - como Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Receita Federal e Banco Central – sem autorização judicial. A medida paralisou uma série de investigações contra corrupção. Argumenta no pedido de impeachment, que a decisão de Toffoli contraria a Constituição Federal e o entendimento do próprio STF.

Parece, leitor, que diante de tudo isso e tantos outros atos similares, que a crise, quando não é crônica, é justificável por colocar quase toda a população contra a parede e obrigá-la a desenvolver novas possibilidades dentro de cada um e fora de cada um. A situação de crise engendra, no seu bojo, o nascimento de algo novo, mesmo que para isto seja necessária a decepção e a dor. Assim, uma situação de crise é um “convite compulsório”, ao crescimento. Ensinou Albert Einstein: “É urgente eliminarmos da mente humana a ingênua suposição de que seja possível sairmos da grave crise em que estamos mergulhados, usando o mesmo pensamento que a produziu”. Esperamos, no entanto, que o Brasil volte a crescer e que a economia se estabilize sem demora. Afinal, o povo brasileiro é trabalhador, bom e merecedor de vida digna e paz para viver.

ÚLTIMAS DO AUTOR

Escolas alternativas

  • 10/09/2019 01:28

Participação

  • 03/09/2019 01:29

Em ambas, o mistério

  • 06/08/2019 05:48