Paulo Miguel - Cerca de 200 pessoas participaram do fórum municipal ontem

Foto: Paulo Miguel - Cerca de 200 pessoas participaram do fórum municipal ontem

ENFRENTAMENTO

Fórum debate violência contra a mulher

  • 30/11/2019 06:50
  • PEDRO SILVA - Especial para O Imparcial

A violência doméstica contra a mulher ainda existe em praticamente todo o mundo. O Brasil se encontra na quinta colocação no ranking de países com mais casos de feminicídio. Com o objetivo de ser alusivo ao dia 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, a Rede Mulher, por meio do Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social de Presidente Prudente), realizou na manhã de ontem o Fórum Municipal de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher: Mobilizar é preciso, na Fundação Inova Prudente.

Ao todo, 200 pessoas estivem presentes no evento, entre especialistas da saúde, de segurança, e dos direitos das mulheres. Assuntos como violência doméstica, estupro, o machismo instaurado na sociedade e políticas públicas para a segurança da mulher foram abordados.

A coordenadora do Creas, Simone Duran Martinez, explica que o centro é um aparelho público para assistência no âmbito jurídico, de assistência social, com advogados e psicólogos para prestar atendimentos às vitimas de violência doméstica familiar. “Os atendimentos podem ser individuais, familiares ou coletivos, em todas as necessidades”, explica. Segundo ela, ao todo são atendidas 50 mulheres por mês.

POLÍTICAS SOCIAIS

E ENSINAMENTOS

“Nós contamos com o auxílio dos órgãos de saúde, como o Caps [Centro de Atenção Psicossocial], UBSs [Unidades Básicas de Saúde] e ESFs [Estratégias de Saúde da Família], também os equipamentos da defesa social, com benefícios como o Bolsa Família, Minha Casa Minha vida, para que as mulheres tenham autonomia e possam se livrar dessa violência domestica”, destaca Simone.

Muitas mulheres ainda se sentem intimidades em denunciar ou procurar ajuda para solucionar os problemas encontrados. A coordenadora sugere que “o silêncio seja quebrado”. “Se você ainda tem medo de ir a uma delegacia, fale com sua vizinha ou uma amiga, você precisa falar para se libertar”. Para mudar esse cenário, Simone diz que é preciso mudar a mentalidade da sociedade, que ainda é machista. “Isso tudo é a cultura do estupro, é a banalização do corpo da mulher, a transformando em posse, e a única maneira é mudar a forma como a sociedade está organizada, que coloca o homem como mais importante e a mulher como inferior”.

RESPONSABILIDADE

NO ÂMBITO ESCOLAR

Especialistas dos direitos da mulher destacaram os casos de violência e abuso sexual, que muitas vezes ocorrem dentro de casa, até mesmo motivados pela orientação sexual da vítima, o chamado “estupro corretivo”, quando é motivado para tentar reverter a sexualidade de um LGBT (lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual ou transgênero), por meio do ato sexual forçado.

“É responsabilidade das escolas. Nós temos que ensinar na primeira infância a educação de gênero, educação sexual, sem preconceito”, diz Simone. Ela explica que a educação sexual e de gênero não incentiva a sexualização precoce, muito menos acelera a vida sexual dos jovens ou altera sua orientação sexual. “Isso é simplesmente ensinar a criança a conhecer e respeitar o próprio corpo, a não permitir que ninguém toque no corpo dela, a respeitar as diferenças e saber a lidar com elas. Quando se aprende na escola que ninguém pode tocar no seu corpo, se alguém tocar nela ela vai falar e a escola poderá agir”. E completa: “Educação sexual é para proteger as crianças, para prevenir uma gravidez indesejada e doenças”.