Luz no fim do túnel

EDITORIAL - DA REDAÇÃO

Data 23/04/2020
Horário 04:39

E quando parece que o mundo virou as costas para você, bem no momento que você mais precisava? Quando nem amigos, nem familiares estão dispostos a estender a mão, mesmo você estando no fundo do poço? Pois é. Esta é a realidade de muitos usuários de drogas, que, muitas vezes, passam anos a fio tendo recaídas, sofrendo com as consequências desastrosas do vício. Neste caso, não é possível nem mesmo culpar a família, que desce lá embaixo, neste mesmo fundo do poço de quem não vê mais sentido na vida, a não ser se render ao prazer momentâneo do entorpecente.

Como julgar pais, mães, irmãos que, por tantas vezes de tudo fizeram para resgatar aquele familiar tão amado, mas que, diante do vício, tornou-se irreconhecível? Impossível querer ajudar quem não quer ser ajudado. Por isso, instituições que se dedicam a cuidar dos usuários de drogas, possibilitando a eles um novo sentido para a vida, merecem o devido reconhecimento de toda a sociedade. Este é o caso do Esquadrão da Vida, que, desde 1983, visa à prevenção e à recuperação dos assistidos em relação à dependência química, com a intenção de, ao término do acompanhamento, promover a reinserção social e devolver a qualidade de vida a cada um deles.

Lá, o atendido encontra a vivência em comunidade, adquire responsabilidades e consegue se colocar no lugar do próximo. Diversas são as atividades realizadas por eles, como a possiblidade de cuidar da horta, tirar leite, contribuir com a limpeza do local e participar de ações voluntárias, como espirituais e de recreação. O mais importante é que para ser atendido pela entidade é preciso, em primeiro lugar, querer estar lá, ou seja, a participação é totalmente voluntária: ninguém é obrigado a nada.

A realidade dos usuários de drogas pode ser invisível aos olhos de muita gente, mesmo com eles vagando pelas ruas, pedindo esmola para consumir mais entorpecentes. Muitas pessoas somente os enxerga quando eles começam a incomodar, a mudar a paisagem das cidades. Apenas quem sente na pele o problema das drogas sabe como é dura e triste a vida dos dependentes químicos – e de todos os seus familiares e amigos. Portanto, é louvável o trabalho realizado pelas entidades que buscam o resgate dessas pessoas, mesmo não os conhecendo e sem saber como amáveis eles eram antes de se perderem no mundo das drogas. Que a esperança seja sempre aquela luz no fim do túnel!

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