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Mônica Teixeira: prudentina na Globo

A filha dos professores universitários Leny e Márcio Teixeira escolheu o Jornalismo, cuja primeira proximidade com a profissão foi como leitora de O Imparcial

PRUDENTE - HOMERO FERREIRA

Data 29/03/2020
Horário 07:09
Arquivo pessoal - Mônica: trajetória profissional começou em SP, passou por Porto Alegre (RS) e chegou ao RJ Foto: Arquivo pessoal - Mônica: trajetória profissional começou em SP, passou por Porto Alegre (RS) e chegou ao RJ

No principal telejornal do país, na emissora de maior audiência, é frequente a presença da repórter prudentina Mônica Teixeira. Sim, de Presidente Prudente para o Brasil, no JN – Jornal Nacional, na Rede Globo de Televisão. Jornalista que, além da língua pátria, domina o inglês e o francês. Em sua carreira constam incursões internacionais. Em seu currículo estão diferentes emissoras. Em suas vivências, convivências com Rubens Ewald Filho e Sérgio Groissman e o time global de jornalistas de expressiva projeção. Da infância, as recordações de brincar na rua, de subir em pé de goiaba no quintal dos seus avós no jardim Paulista, dos estudos em escolas públicas e as aulas de ballet para ganhar equilíbrio e superar o problema dos pés tortos. Na adolescência e na juventude, os estudos em escolas particulares no ensino regular e o aprendizado de línguas em centros de idiomas; as baladinhas nas boates Buana e do Tênis Clube; o grupo dança Vivere; e os finais de semana na Represa Laranja Doce, em Martinópolis.

O interesse pela comunicação passa pela leitura de O Imparcial desde muito cedo, jornal assinado pelos seus pais, os professores universitários Dr. Márcio Antônio Teixeira (1944-2013), que foi diretor do campus da Unesp em Presidente Prudente; e Dra. Leny Rodrigues Martins Teixeira. A origem familiar tem os avós de quatro cidades do interior paulista. O avô paterno de Araraquara e a avó de Paraguaçu Paulista, Horácio e Margarida que vieram para Prudente com dois filhos, quando Márcio tinha 18 anos de idade. 

A avó materna, Ermelinda, nasceu em Prudente, filha de Francisco Pio Benguela, que é nome de rua na Vila Furquim e foi prefeito de 1º de janeiro a 20 de agosto de 1930. Seu avô por parte de mãe, de nome Orlando, só conheceu por fotos. Do bisavô está na lembrança a foto que viu no museu, uma surpresa dos tempos de passeios escolares e a sensação de ter achado bem esquisito o bigode de Pio Benguela, que fazia voltinhas nas extremidades.

Os avós foram muito representativos para a primogênita Mônica e seus três irmãos: Érika, Cândida e Marco Antônio. Na casa de Horácio e Margarida subiam em goiabeira, comiam jabuticaba no pé e brincavam na oficina mecânica, ao lado. Na avó Ermelinda – que sustentou as três filhas fazendo bolos, doces e jantares deliciosos – era onde ficavam quando os pais viajavam para fazer mestrado em São Paulo e mais tarde o doutorado. Nas ruas brincavam de carrinho de rolimã, bets com bolas feitas de meia, amarelinha e guerra de mamona.

Quando Mônica estava com oito para nove anos, a família mudou-se para a casa onde está até hoje, na Rua Kobata, na Vila Tazitsu. Uma moradia bonita, com grande recuo na frente, tipo casa de condomínio. É lá o aconchego dos breves descansos da jornalista, junto com seu filho Vinícius, de 10 anos. É para onde vem de duas a três vezes por ano; menos do que gostaria. Acha que Prudente se desenvolveu bastante, se tornando uma cidade com mais opções culturais, bons restaurantes e uma vida universitária que traz energia e movimenta a economia.

A NOSTALGIA

DOS CASARÕES

Mas, lamenta que a cidade abra mão da história para se modernizar. Diz isso ao lembrar que a Avenida Washington Luiz era só casarões residenciais, onde morou sua avó Ermelinda e agora resta a tristeza em ver os casarões desfigurados, transformados em consultórios médicos, ao ponto de não reconhecer uma única parede da casa onde passou anos felizes na infância. Mônica estudou em duas escolas públicas: José Soares Marcondes, no bairro do Bosque, alfabetizada pela professora Jovita Terin, e Hugo Miele, na Vila Esperança.

Depois, estudou nos colégios Joaquim Murtinho e Anglo Prudentino. Os estudos de idiomas foram no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos e na Aliança Francesa, aprimorados em São Paulo. Fez dança no Conservatório Maestro Julião, dos cinco aos 18 anos. Começou cedo no balé para acertar o equilíbrio do corpo, para corrigir os pés tortos. Tentou piano com a professora Cida Botosso, mas tinha dificuldade da leitura de partitura e os movimentos dos dedos nas teclas ao mesmo tempo. A dança esteve em sua vida até os 30 anos, quando não foi mais possível conciliá-la com o trabalho.

Como bailarina carrega saudade do grupo Vivere, pelo qual participou de festivais em cidades do interior de São Paulo e no tradicional Festival de Joinville (SC). Um grupo que levava a dança a sério, com duas horas de aula de balé por dia e mais duas de ensaio e muitas vezes também nos finais de semana. Os pés sangravam na sapatilha de ponta e voltava para casa caminhando, descalça, impedida de usar qualquer tipo de calçado. Foi na dança que aprendeu a ser persistente, a não desistir, a ser forte ao ponto de girar nas pontas dos pés sangrando e com um sorriso no rosto.

No dia em que completou 18 anos (5 de março de 1989) deixou Prudente, a mesma idade que, coincidentemente, seu pai chegou com 18 anos, vindo de Paraguaçu Paulista (SP). Mônica foi para São Paulo estudar Jornalismo na USP (Universidade de São Paulo), instituição que fez a diferença em sua vida, mediante uma visão mais crítica do mundo. A escolha pelo Jornalismo decorreu, basicamente, da facilidade com idiomas, do gosto pela leitura e a facilidade de escrever, o que rendeu, na época de Joaquim Murtinho, a publicação de uma redação sua em O Imparcial.

A jovem tímida percebeu logo que tinha uma visão muito romântica do jornalismo, a de basicamente escrever um texto lindo. Mas também descobriu logo que a profissão é estressante e desgastante, mas muito interessante. Virou paixão e aos poucos o exercício profissional foi ensinando a vencer a timidez. Começou a trabalhar em televisão quando fazia a faculdade. Em uma escalada de funções, começou como estagiária, foi produtora e depois editora de um canal a cabo; onde, além de aprender como era fazer televisão, teve a honra de conviver e aprender com Rubens Ewald Filho, um dos maiores conhecedores de cinema no Brasil.

TRAJETÓRIA

PROFISSIONAL

Em canal aberto, seu primeiro emprego foi no SBT, fazendo reportagens para o público jovem do Programa Livre, do Serginho Groissman. Na mesma época fez alguns freelancers para a MTV. Depois foi para a TV Cultura como repórter do Vitrine, programa de variedade sobre televisão e cinema. Na mesma emissora, foi transferida para o Metrópolis, programa diário sobre arte e cultura. Nessa ocasião também apresentou o Repórter Eco, programa sobre ecologia. De 2000 a 2005 trabalhou em Porto Alegre (RS) como repórter e apresentadora da RBS, afiliada Globo. Desde setembro de 2005 está na Globo Rio como repórter dos jornais locais e de rede, no que inclui o Jornal Nacional. Eventualmente apresenta os telejornais locais.

Como repórter da TV Cultura em São Paulo participou da cobertura da Copa do Mundo de 1998 na França, fazendo matérias de comportamento e cultura. No âmbito internacional participou de entrevistas com artistas na época em que trabalhou no Programa Livre. Pela Globo, teve a oportunidade de fazer um Globo Repórter  em 2014 num país ainda desconhecido de muitos brasileiros, a Armênia, sobre o qual se refere como uma ex-república soviética com paisagens impressionantes e um povo extremamente receptivo

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