Na África do Sul, gastrônomo relata angústia na espera por repatriação

Guilherme Scaff tem familiares em Prudente, e conta sobre momentos difíceis que enfrenta no país africano, enquanto anseia por retorno ao Brasil

PRUDENTE - GABRIEL BUOSI - Da Redação

Data 01/04/2020
Horário 08:19
 Arquivo Pessoal - Guilherme (à esq.) aguarda na África do Sul pela repatriação ao Brasil Foto: Arquivo Pessoal - Guilherme (à esq.) aguarda na África do Sul pela repatriação ao Brasil

Como consequência do surgimento do Covid-19, aproximadamente 300 brasileiros aguardavam na África do Sul, ontem, por uma repatriação, entre eles o londrinense Guilherme Scaff, 25 anos, que possui familiares na cidade de Presidente Prudente. O relato do gastrônomo, que estava isolado em um hotel por causa do fechamento de todo o país, conta com momentos de escassez de comida, falta de apoio de autoridades, e da companhia aérea, e de muita esperança ao retorno ao Brasil, previsto para ocorrer na madrugada de hoje. A irmã dele, Isabela Scaff, moradora da maior cidade do oeste paulista, comenta que os familiares vivem “dias de muita angústia”.

Tudo começou, segundo Guilherme, quando uma viagem para a África do Sul, por motivos de lazer, foi programada. Com poucos casos de Covid-19 no país, o gastrônomo optou por manter a viagem. Ocorre que durante este período que deveria ser marcado pelo divertimento, Guilherme, assim como muitos brasileiros, se depararam com o fechamento de todo o país, e aeroportos, impedindo o retorno para casa. “Estávamos em Cape Town e pegamos um carro até Joanesburgo, pois seria mais fácil de sair daqui”.

Desde então, o relato é de desespero. Isso porque, o retorno, que estava marcado para o dia 27 de março, foi cancelado e, desde então, a companhia aérea Latam, segundo Guilherme, não ofereceu novas opções para o retorno, por causa da situação de isolamento do país, bem como respaldo a muitos dos brasileiros, como hospedagem ou alimentação. “Está saindo tudo do nosso bolso. Conseguimos comprar pão e ovo, e foi disso que vivemos por muitas refeições”. Até mesmo o restaurante do hotel está fechado.

ESPERANÇA DE

VOO PARA HOJE

A noite de ontem era a última com comida em estoque, mas também poderia ser a última de sofrimento para as famílias. Isso porque, eles foram informados de que deveriam arrumar todas as coisas e se preparar para um possível voo, da Latam, que os traria de volta ao Brasil na madrugada de hoje. “Ainda não sabemos se dará certo, está sendo uma tortura psicológica”, apontou Guilherme minutos antes de se deslocar até o aeroporto. Até o fechamento desta matéria, o voo estava previsto para ocorrer.

Já a irmã, que mora em Prudente, afirma estar preocupada e na expectativa de que Guilherme e a cunhada consigam embarcar de volta ao Brasil. “Temos muita fé em Deus e estamos em orações para que cheguem bem e em segurança, e que todas as famílias que têm parentes ao redor do mundo também consigam que eles retornem”.

A reportagem solicitou um posicionamento para a Latam sobre o depoimento apresentado. Em nota, a companhia apenas informou que recebeu a autorização necessária do governo da África do Sul para a realização do voo, para São Paulo, para a madrugada de hoje, às 4h55 do horário local.

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