Pesquisar é preciso! As contribuições do GPES

OPINIÃO - Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos

Data 29/09/2019
Horário 05:00

A imagem apresenta uma solução de um composto orgânico, sintetizado no laboratório do GPES (Grupo de Pesquisa em Eletroanalíticas e Sensores) sob a liderança do Prof. Dr. Marcos Fernando de Souza Teixeira da FCT /Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia – Universidade Estadual Paulista, Campus de Presidente Prudente.

A cor intensa só pode ser observada quando este composto orgânico é irradiado com uma luz ultravioleta, no comprimento de onda na região dos raios solares UVA (315 e 400 nm). Esse fenômeno é denominado luminescência e muitas substâncias apresentam essa característica. Alguns compostos podem apresentar o fenômeno de fluorescência como o quinino presente na água tônica e outros como os interruptores de luz nos modelos mais antigos.

O composto orgânico da imagem apresenta o fenômeno da fluorescência em que ele emite uma luz quando está sendo irradiado. Após a irradiação, a emissão de luz cessa. Devido a essa característica, essa substância, chamada de benzenotetranitrilo tetrafenol, ou simplificadamente como BTF, foi estudada no meu projeto de mestrado em Química com o intuito de viabilizar sua utilização como um sensor químico (ou quimiossensor) para íons cobre em soluções aquosas. Isso porque, descobriu-se que este composto orgânico quando em contato com esses íons cobre ele não emite mais luz! Sendo este o indício de que há a presença de íons cobre em determinada amostra de água de poço artesiano, por exemplo. Essa alteração na propriedade do BTF pela presença de íons cobre é chamada de supressão de luminescência e com o acompanhamento desta supressão, sabe-se que há uma maior quantidade de analito (íons cobre) na solução. Com isso tem-se o desenvolvimento de um quimiossensor.

O GPES, assim como muitos outros grupos de pesquisa da FCT/UNESP atuam na ciência de base com a pesquisa e desenvolvimento de processos e até produtos no sentido de contribuir para a melhoria da vida em sociedade (atuação nas diferentes áreas como tecnologia, saúde, ensino, entre outros). No referido grupo, muitos materiais e novas plataformas sensoriais são estudadas e desenvolvidas com o intuito de colaborar com o conhecimento de propriedades promissoras de materiais novos e outros já em uso. Como exemplo tem-se um projeto de mestrado da pós-graduanda Camila Fernanda em que há o desenvolvimento de um sensor para sulfito. O sulfito é utilizado como aditivo alimentar devido a sua ação antimicrobiana, porém o seu alto consumo pode gerar problemas de saúde, como os pulmonares. Assim, tem-se o desenvolvimento de um sensor a partir dos materiais: grafite, ouro e um corante sensoativo para determinar sulfito em amostras de vinho, por exemplo. Outro sensor em desenvolvimento consiste no projeto do graduando em Química Heitor Furlan que tem o intuito de detectar a substância ácido úrico em amostras de sangue, pois altas quantidades desta substância, é um indicativo de ocorrência de certas doenças como a disfunção renal, diabetes tipo II e leucemia.  Ainda, se tem pesquisa na área de monitoramento ambiental desenvolvido pela graduanda em Química Marianna Cancian, em que o elemento químico chumbo, tóxico ao organismo humano, é determinado a partir de material particulado atmosférico coletado em áreas onde possivelmente há falhas geológicas na cidade de Presidente Prudente.

Enfim a pesquisa de base que ocorre na FCT/UNESP tem grande valia e implicações em situações que muitas vezes nos deparamos com o resultado, sem ao menos nos perguntarmos qual a ciência por detrás disso!? Tudo se inicia na universidade. E a UNESP Campus de Presidente Prudente, tem merecido destaque pelas pequenas e grandes contribuições científicas.

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