LVC

Presença da leishmaniose em cães é mais crítica na zona oeste de PP, aponta mapa

Centro de Controle de Zoonoses aponta que bairros periféricos estão mais suscetíveis à doença em função do maior número de terrenos baldios, fundos de vale ou imóveis em construção

  • 13/12/2017 12:20
  • ANDRÉ ESTEVES - Da Redação

Até o mês de dezembro, o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Presidente Prudente contabilizou 358 cachorros infectados por LVC (leishmaniose visceral canina), 70 animais em tratamento e duas mortes humanas em decorrência da doença, conforme mostra o Mapa da Leishmaniose, ferramenta desenvolvida pela Setec (Secretaria Municipal de Tecnologia da Informação) que permite acompanhar a evolução da infestação da zoonose na cidade em cada rua ou bairro. Hoje, a maior concentração de casos é verificada na zona oeste, conforme relata o coordenador do CCZ, médico veterinário Célio Nereu Soares, uma vez que a patologia adentrou o município por meio desta área. Nesta região, a maior quantidade de ocorrências está concentrada nos bairros Jardim Novo Bongiovani, onde houve 19 confirmações da sorologia positiva para a LVC; e Residencial São Paulo, que possui 15 notificações.

Célio explica que os bairros periféricos de Prudente estão mais suscetíveis à proliferação da doença, considerando que são áreas que ainda se encontram em desenvolvimento e, por esta razão, dispõem de um maior número de terrenos baldios, fundos de vale ou imóveis em construção, que favorecem a procriação do mosquito-palha, vetor da leishmaniose. Em contrapartida, o veterinário destaca que, hoje, a zona leste é a menos afetada, tendo em vista que o último mutirão de coleta de sangue de cães ocorreu há mais de um ano, o que “silencia” o aparecimento de novas notificações positivas. Ele adianta que as equipes do órgão municipal deverão retornar aos bairros desta região no começo de 2018, quando será possível constatar se houve aumento de casos.

Célio explica que a região central também possui menos ocorrências por se tratar de uma área bastante ocupada e com menos terrenos baldios, propiciando pouco espaço para a instalação do mosquito-palha. Contudo, salienta que se não houver cuidados por parte da população, nada impede que a zoonose também se espalhe naquela zona. Nos bairros onde a leishmaniose é mais presente, o coordenador esclarece que o CCZ intensifica os trabalhos de prevenção. Ele conta que a equipe realiza a limpeza de imóveis e retirada de materiais inservíveis, contudo, somente esse tipo de ação não é suficiente, posto que os locais ficam novamente sujos pouco tempo depois. Sendo assim, é preciso investir, principalmente, na conscientização da comunidade. “A gente percebe que a informação está chegando de forma mais efetiva nos bairros. A pessoa pode não saber tudo, mas pelo menos tem ideia do que é a leishmaniose”, considera.

 

“Na zona oeste de Prudente, a maior quantidade de ocorrências está concentrada nos bairros Jardim Novo Bongiovani, onde houve 19 confirmações da sorologia positiva para a LVC, e Residencial São Paulo, que possui 15 notificações”

 

Medidas preventivas

O profissional acredita que o mapa, disponibilizado no portal Prudente Digital, favorecerá o acesso à informação, pois permite que os cidadãos tenham dados mais visuais sobre a ocorrência da patologia na cidade. “A pessoa tem consciência que a leishmaniose existe, mas não considera o quão próxima está de sua casa. Por meio do mapa, ela vai conseguir ter essa visualização e tomar medidas para evitar que a zoonose chegue até a sua residência”, pondera. Entre as principais ações preventivas, estão capinar terrenos e recolher e ensacar mato, restos de folhas, frutas e demais matérias orgânicas, além de proteger seus animais com coleiras repelentes.

Fazendo um retrospecto sobre a doença em Prudente, Célio argumenta que os casos não tendem a diminuir, mas pelo menos estabilizar. Para tanto, reforça a necessidade da população ser consciente. Conforme o profissional, muitos deixam de submeter seu animal à coleta de sangue, porque temem a eutanásia do animal caso seja confirmada a sorologia positiva da LVC. Ele denota que já há no mercado um medicamento que é utilizado para o tratamento de cães com a doença – o Milteforan. “Além disso, quanto mais rápido for o diagnóstico, menor o risco do mosquito-palha se contaminar. A quantidade de casos em Prudente só aumentou porque ampliamos a coleta de sangue. Com isso, mais animais foram diagnosticados e tirados do convívio”, pontua.

 

SAIBA MAIS

O Mapa da Leishmaniose está disponível no portal Prudente Digital (www.prudentedigital.com.br). Após acessá-lo, o usuário deve rolar a página até a seção “Estamos trabalhando” e clicar no ícone “Mapa da Leishmaniose”.

 

Foto: Prefeitura de Prudente, Nova ferramenta, Mapa da Leishmaniose permite acompanhar evolução da infestação da zoonose nos bairros prudentinos

 

NÚMEROS

358

cachorros foram infectados com leishmaniose até dezembro

70

animais estão em tratamento contra a doença

2

mortes humanas foram registradas este ano em Prudente