Paulo Miguel - Para profissionais, quando o serviço é no alto, segurança é prioridade

Foto: Paulo Miguel - Para profissionais, quando o serviço é no alto, segurança é prioridade

Um trabalho para corajosos

Pintores, auxiliares de manutenção e construtores contam suas experiência nas alturas enquanto construíam edificações da cidade, ou mantinham seu funcionamento pleno

  • 03/12/2019 09:19
  • PEDRO SILVA - Especial para O Imparcial

Com equipamentos de segurança, costume e vontade de superar seus desafios, quem ganha a vida trabalhando nas alturas se sente a vontade tanto no chão quanto nos ares. Não raras são as situações em que nos deparamos com esses profissionais que passam o dia “lá no alto”, principalmente no setor da limpeza e da construção civil. Mas, como será que é o cotidiano de trabalho desses corajosos? Para saber, a reportagem ouviu alguns deles.

Já acostumado com a altura, Hélio Alves da Luz, 56 anos, trabalha com manutenção geral há 13 anos, e diz que, atualmente, a segurança é prioridade. “Eu comecei pintando fachadas de prédios, mas naquela época não tinha preocupação com segurança, era só uma cadeirinha e uma corda, sem trava nem nada. Quando fui trabalhar na construção de uma instituição de ensino, passei a dispor de mais aparelhos de segurança”, comenta.

Hélio diz que a coragem não é não ter medo, mas sim enfrentá-lo e contorná-lo, e até saber quando não é possível fazer algo. “Uma vez, em Mirante do Paranapanema, eu precisei subir na torre da antiga Telesp, e estava ventando demais. Eu fiquei receoso, mas tive que ir, e o vento forte chegou até a derrubar ferramentas. Isso aconteceu em uma torre de televisão também”, lembra. “Já houve situações em que tive tanto medo que eu não sentia minhas pernas”, comenta.

“Todo trabalho precisa de cautela. Quando algo impossibilita a realização de um serviço, o contratante ou a empresa precisa ser avisada para que o trabalho seja feito em outro dia”, conta o limpador especializado, Júnior Bocche, 36 anos. Prestador de serviços da Inova Clean, ele está no ramo há 15 anos, e comenta que ainda tem receio de alguns trabalhos, porém, sempre está com equipamentos de segurança, como boldrié (espécie de cinto de segurança), capacete, cordas travaqueda e paraqueda, além de escadas e andaimes bem vistoriados e com boas condições de uso. “Todo cuidado é pouco, a altura tem que ser respeitada”.

TODO CUIDADO

É POUCO

“Nós sempre utilizamos os equipamentos, e respeitamos os limites. Para ajudar a conscientizar os meus companheiros, eu e alguns amigos gravamos vídeos explicando como funcionam as cordas travaqueda, damos dicas das cadeirinhas, entre outras”, conta o pintor Osmir Gabriel Magalhães Domingos, 26 anos. O profissional comenta que seus familiares não gostam muito da ideia dele trabalhar com esses serviços. “Eles acham muito perigoso, então, sempre oram por mim para eu ter o máximo de atenção”. Osmir, mais conhecido como “Coruja”, perdeu o medo de altura ao efetuar um serviço em um motel com 10 metros de altura. “Eu tento não olhar para baixo, para parecer que eu estou no chão”.

Infelizmente, mesmo com os cuidados tomados pelos profissionais, acidentes acontecem. Ao descer de um caminhão, a aliança de Hélio prendeu na carroceria, o que lhe amputou o dedo anelar da mão esquerda. “É perigoso. Nesta ocasião, era a primeira vez que eu utilizava uma cadeira com cabos de aço com pressão, então, com o pouco peso, a altura começou a se ajustar com trancos, mas, nesse caso, a travaqueda segurou”.

“Graças a Deus, isso nunca aconteceu comigo, só uma vez que uma escada escorregou, mas estava amarrada. No entanto, eu conheço casos”, explica Júnior. “Eu já ouvi histórias de trabalhadores que caíram de alturas consideráveis, mas ainda bem que não sei de ninguém que morreu, só algumas fraturas”. Ele ainda alerta: “Esse tipo de serviço é para profissionais, tem um jeito certo de subir em telhados, por exemplo, então, deixa essas coisas para a gente”.