“Baby Boomers, Geração X, Millenials e Geração Z”

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 06/07/2021
Horário 06:45

A juventude sempre foi a geração da rebeldia e das contestações. A forma de expressar esta rebeldia, no entanto, é completamente diversa entre as épocas. É como se o jovem que descobre o mundo, identifica seus problemas, se coloca como porta voz das mudanças e aponta o dedo para a geração anterior, que sempre será ultrapassada (ou careta, como se dizia antigamente). Os valores da juventude da cada época, o comportamento padrão de uma geração varia muito, e desta forma um jovem da década de 60 foi completamente diferente de outro dos anos 80 e imensamente diverso do jovem dos anos 2000. E todos tem a mesma sensação: que a sua geração foi “A” geração, com opiniões subjetivas e completamente parciais sobre a defesa de seus contemporâneos. Uma classificação internacional tem sido aplicada também no Brasil para identificar características semelhantes dos nascidos em períodos específicos do século 20. Desta forma, criou-se a classificação das Gerações: os Baby Boomers (nascidos entre 1945-64), a Geração X (1965-84), Geração Y ou Millenials (1985-1999) e a Geração Z (a partir do ano 2000). Estes agrupamentos têm relação com o tipo de comportamento de cada geração, o uso da tecnologia do momento e a sua relação com o consumo. As gerações mais antigas representam as fases das infâncias repletas de brincadeiras de criança fora de casa, e quando estes garotos e garotas se tornaram pais, perceberam que a violência havia aumentado e muniram suas casas com segurança, com quarto, TV e computador para o filho não sair de casa. Esta tentativa foi frustrada, porque os filhos passaram a sair de casa, por via digital, com as interconexões do mundo moderno e passaram a criticar os modelos anteriores, originando as gerações antenadas atuais e os conflitos de relacionamentos com os mais velhos.  Passamos da geração lúdica e rebelde dos baby boomers, para uma geração que objetivava conquistas e seguranças da geração X para a geração em busca da felicidade dos millenials e agora temos uma geração disruptiva Z: que quer mudar o mundo, apontando defeitos, desconstruindo valores e mitos, mas nem sempre apontando soluções ou novas construções. 

TÚNEL DO TEMPO: NEZINHO DO JEGUE 
A novela “O Bem Amado” de autoria de Dias Gomes foi a primeira telenovela produzida em cores no Brasil e demonstrou ao longo das décadas ser atemporal, e continua atual e reflexiva, mesmo tendo sido feita em 1973. O sucesso foi tão grande que retornou na forma de seriado entre 1980 e 1984 e mais recentemente virou filme com novo elenco. Contudo, a versão clássica com Paulo Gracindo no papel do prefeito Odorico Paraguassu é um clássico eterno, com personagens inesquecíveis como Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz), Zeca Diabo (Lima Duarte) e as Irmãs Cajazeira (Ida Gomes, Dorinha Duval e Dirce Migliaccio). Porém, um pequeno personagem é representativo desta dicotomia política atual do país, o simplório Nezinho (Wilson Aguiar) que tinha de propriedade um jegue chamado Rodrigues. Quando estava sóbrio era um ardente defensor do prefeito Odorico, um puxa-saco do político, mas quando se embriagava, gritava aos brados: “Morra Odorico, matador dos pobres, ladrão de Cavalos, filho do Cão”! Isto causava a ira do prefeito que usava seus palavreado pomposo para se defender: “Seu cachacista juramentado”. Dizem que o personagem foi criado para ridicularizar Nelson Rodrigues (Nezinho com o jegue Rodrigues), desafeto de Dias Gomes. 

Dica da Semana

Filmes

“O Avental Rosa”: 
Direção Jayme Monjardim. Globo Filmes. Conta a história de Alice (Cyria Coentro), uma mulher de 50 anos, que trabalha como cuidadora de pacientes terminais em hospitais particulares e doa seu tempo livre como voluntária na mesma ação em hospitais públicos. O filme acompanha histórias e dramas dos pacientes e os impactos emocionais destes dramas na vida de Alice. O elenco conta com Bruno Cabrerizo e a última participação em cinema das atrizes Heloísa Raso (1955-2019) e Nicette Bruno (1933-2020).

José Eduardo Soares Pinheiro
 

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