"Chaga de fogo"

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 12/05/2026
Horário 08:00

“Chaga de Fogo” (The Detective Story) é um dos grandes policiais dos anos 50 do subgênero filme noir, dirigido por William Wyler e estrelado por Kirk Douglas e a belíssima Eleanor Parker. Na trama, Douglas é o detetive durão Jim McLeod, obcecado e objetivo que cumpre a lei custe o que custar. O seu alvo é Karl Schneider (George MacReady), responsável por provocar abortos e causar a morte de diversas pacientes. No entanto, a determinação do detetive pode ser decorrente de um motivo pessoal, o que abala a legitimidade das investigações, ao não admitir que sua mulher (Eleanor) tenha um passado. Um retrato cruel de um machismo elevado à enésima potência. Produzido em 1951 em preto e branco, e indicado a quatro prêmios Oscar, incluindo melhor atriz para Eleanor Parker pelo segundo ano consecutivo. 
    
Silêncios maternos
A inversão de papeis entre pais e filhos tem uma simbologia dolorosa bilateral. Por um lado, pais e mães, que foram cuidadores de seus filhos durante anos têm dificuldade de transicionar para a posição de quem agora necessita de cuidados frequentes. Por outro, é difícil para os filhos enxergarem os pais como seres vulneráveis, que não estão mais disponíveis para ajudar a todo momento, e sim, demandam atenção e cuidados. Para dificultar ainda mais a situação, há uma constante nesta equação: a tendência dos mais velhos, principalmente mães, em silenciarem suas dores, para evitar preocupações ou com a suposta pretensão de preservarem a liberdade dos filhos. Contudo, por mais que silenciem, seus olhares e comportamentos expressam inquietudes e dificuldades, e os filhos conseguem enxergar nas entrelinhas que algo está errado. Esta falta de transparência emocional dificulta o suporte preventivo, podendo transformar pequenas dificuldades em grandes crises que poderiam ter sido evitadas anteriormente. Para algumas mulheres, aceitar a vulnerabilidade que chega com a idade pode representar uma perda de autoridade ou um aumento de sobrecarga para os filhos adultos. E, na tentativa de poupá-los, acabam por adiar e agravar situações que são bastante reversíveis. É necessário manter um canal de diálogo aberto, para que estas mães idosas tenham seus sentimentos validados e com vínculos afetivos familiares fortalecidos. Vozes caladas também podem representar para os filhos que os pais estejam insatisfeitos ou deprimidos, gerando comportamentos compensatórios que causam ainda mais desgaste, pois há uma sensação de que nada é suficiente para agradá-los. Os filhos passam a tentar descobrir o que as mães idosas estão sentindo, agindo como detetives emocionais, e nem sempre sendo eficazes neste papel. Mães estão muito acostumadas a silenciar suas dores devido à sobrecarga, solidão e apagão emocional durante ao longo de toda a relação mãe-filho. Esta invisibilidade emocional pode se acentuar no envelhecimento, onde não pode ser território para tal coadjuvância. Não é mais hora para sofrer calada. 

Dica da Semana

Filmes:

“A Visita”:
Direção: M. Night Shyamalan. Com Olivia DeJonge, Ed Oxenbould. Dois adolescentes vão passar uma semana com os avós na Pensilvânia que ainda não conhecem, pois, sua mãe rompeu relações com eles há muitos anos. Chegando no local, seus avós passam a apresentar um comportamento cada vez mais estranho e assustador. Filme de mistério de diretor reconhecido por sucessos como “Sexto Sentido”, “Corpo Fechado” e “A Vila”.

 

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