Demência e exercício físico

Jair Rodrigues Garcia Júnior

A doença de Alzheimer é a demência mais comum (70%) e atinge 50 milhões de pessoas no mundo, sobretudo após os 65 anos (95% dos pacientes), com elevada taxa de mortalidade. É neurodegenerativa e caracterizada pela disfunção nas sinapses e perda progressiva da memória, da capacidade de planejamento e da autonomia para os cuidados mais elementares. Sua causa é o acúmulo de placas de proteínas beta-amilóide no cérebro, como consequência de disfunções metabólicas sistêmicas que levam ao aumento da glicose e das gorduras no sangue, e maior estresse oxidativo.

PERDA DE NEURÔNIOS
Dos 100 bilhões de neurônios que um adolescente possui, parte vai sendo perdida ao longo da vida, naturalmente ou por causas externas (ex. álcool, drogas, esteróides anabolizantes). Em um idoso de 85 anos, a perda pode chegar até 50% em regiões específicas do cérebro.

NOVAS SINAPSES
Apesar de não haver o surgimento de novos neurônios, podem acontecer novas ligações (sinapses) entre os neurônios remanescentes (plasticidade nervosa), evitando prejuízos às funções nervosas e até permitindo o aprendizado de novas habilidades (ex. dançar, tocar piano, nova língua). O importante para isso é o estímulo e a prática regular.

Eixo músculos-sistema nervoso beneficia o cérebro.

 

XERCÍCIOS COGNITIVOS
Já praticou neuróbica? É uma estratégia para estimular funções cognitivas com atividades “banais”, mas que deixamos de praticar. Aprendizagens em geral são muito eficientes. Além disso, o eixo músculos-sistema nervoso, quando mantido ativo com exercício físico, beneficia a vascularização do cérebro, a formação de novas sinapses, o aprendizado, a manutenção da memória e das funções cognitivas, prevenindo e evitando a progressão de doenças do sistema nervoso (depressão, Alzheimer).

COMUNDONGOS NADADORES
Como prevenir ou desacelerar a Doença de Alzheimer? Uma das formas é a prática de exercícios para a produção, pelos músculos, da proteína a Irisina, que fica diminuída nestes pacientes. Em 2019 foi demonstrado que o aumento da Irisina no sangue e cérebro de camundongos nadadores melhora a plasticidade nervosa e memória. A Irisina parece impedir a ligação da proteína beta-amiloide nos neurônios (sinapses) e estimula a produção do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), proteína essencial para a boa memória.

PRODUZA MAIS IRISINA
Não há drogas eficazes para doença de Alzheimer, mas os músculos ativos são responsáveis por uma miríade de efeitos benéficos. Portanto, combine exercícios cognitivos e físicos para preservar as funcionalidades do sistema nervoso.


 

6 março 2020

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