“O profissional sério, comprometido e estudioso sempre terá espaço”

Matheus da Silva Sanches, advogado criminalista

PRUDENTE - ROBERTO KAWASAKI

Data 30/04/2020
Horário 09:07
Cedida - Matheus: "Nosso compromisso é com a lei e o cliente, e não com visões estigmatizadas e preconceituosas"
Cedida - Matheus: "Nosso compromisso é com a lei e o cliente, e não com visões estigmatizadas e preconceituosas"

O advogado criminalista Matheus da Silva Sanches tem se destacado em sua atuação profissional em Presidente Prudente e região. Apesar da pouca idade, 25 anos para ser mais exato, divide horas de estudos e os inúmeros capítulos do Direito Penal junto às disciplinas que leciona a alunos de curso de graduação. Mas ser advogado ou professor nem sempre foram os objetivos de Matheus, que desde a adolescência já sentia a vocação pelas ciências jurídicas: a pretensão era tornar-se promotor de Justiça. Porém, a vida tomou outros rumos, que permitiram a ele novas escolhas, levando à realização profissional: “não meço esforços para me qualificar nesta área”.

O Imparcial: Como está o atual cenário de quem atua nesta área?

Matheus: Infelizmente, a advocacia hoje é um mercado que enfrenta algumas dificuldades. O aumento vertiginoso de faculdades de Direito provoca a inserção de milhares profissionais do Direito todos os anos. Ou seja, temos vários profissionais para poucas demandas. Vejo que o profissional sério, comprometido e estudioso sempre terá espaço. Concorrência e dificuldades terão em qualquer nicho que se atua. Devemos enxergá-los como algo natural e criar mecanismos para que tais pontos não obstaculizem o exercício da profissão.

Apesar dos poucos anos de formação, tem uma vasta experiência no currículo. Como analisa os desafios encontrados na advocacia criminal?

O ditado de “matar um leão por dia” se aplica à advocacia criminal. Acredito que nas demais áreas também. O criminalista, especialmente se for jovem, enfrenta muitos obstáculos no exercício de sua profissão. Há uma certa estigmatização ao nosso grupo, não provocada pelo Estado (particularmente, sempre tive bom relacionamento com agentes públicos), mas por parcela da sociedade. Muitos enxergam como errado quem é processado ou investigado criminalmente ter direito a algum profissional para defendê-lo. Contudo, felizmente não é a maioria que pensa dessa forma e, com o passar do tempo, passamos a ignorar este ponto, pois nosso compromisso é com a lei e o cliente, e não com visões estigmatizadas e preconceituosas.

Há outros que gostaria de citar?

Outro desafio que o criminalista enfrenta é a necessidade de, ao meu ver, ser proativo, estratégico e rápido. Além disso, listo outro desafio interessantíssimo (o mais importante, ao meu ver): a multidisciplinariedade da advocacia criminal. O criminalista precisa ir além, e não pode se limitar ao estudo do Direito Penal e Processo Penal no exercício da profissão.

Desafios existem em todas as profissões. Dentro da advocacia, que demanda tempo para estudar um caso, como lida com as barreiras que surgem ao longo do trabalho?

Gosto de encará-las com certo otimismo, mas nunca subestimá-las, por isso, “cada caso é um caso”. Vejo como necessário enxergar cada caso com sua peculiaridade e detalhe. Não existe “ctrl +c” e “ctrl + v” na advocacia criminal. Quanto mais conhecimento dos fatos e das suas consequências, melhor será a visão do advogado em enxergar qual a postura mais adequada para o seu patrocinado.

Além de atuar como advogado criminalista, também leciona para curso de graduação. De que forma concilia as duas profissões?

Atualmente, integro o corpo docente do Centro Universitário Antônio Eufrásio Toledo de Presidente Prudente nas disciplinas de Direito Penal e Direito Processual Penal e dou aula em cursos preparatórios para carreiras públicas do PCI- Concursos, via online [EAD], na disciplina de Direito Administrativo. A principal razão que me possibilita conciliar as duas funções é, realmente, o amor pelo que faço. Mesmo com muito trabalho pela frente, não me vejo em outra profissão. Sempre vou me ver como advogado e professor. A palavra “aposentadoria” não existe em meu dicionário e muito menos o termo “insatisfação profissional”.

Houve algum momento marcante em sua carreira, pode bom ou ruim, em relação ao seu contato com alunos ou clientes, que gostaria de relatar?

Acho que o fato mais marcante na profissão, até o presente momento, foi no meu primeiro ano como advogado e a primeira absolvição que conseguimos. O processo, realmente, era um Fransktein jurídico. Uma acusação gravíssima de crime sexual, mas obscura. Havia tudo a nosso desfavor e a nosso favor. Nítida perseguição. Felizmente, com muitos estudos, noites em claro e fé, o nosso assistido foi absolvido no Tribunal de Justiça de São Paulo. O fato nos marcou muito pela angústia e desespero do assistido em ser processado por algo que não fez e ter sido condenado em 1ª instância. Naquele momento, vi o quanto é importante a função do advogado criminalista. Guardo até hoje a decisão comigo.

PERFIL

Nome: Matheus da Silva Sanches

Idade: 25 anos

Formação: Graduado em Direito e pós-graduado em Direito Penal e Processo Penal, ambos pelo Centro Universitário Antônio Eufrásio de Toledo de Presidente Prudente; mestrando em Sistema Constitucional de Garantia de Direitos (Direito Constitucional) pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru (SP); cursou, como aluno especial, mestrado em Direito Negocial pela Universidade Estadual de Londrina (PR) na disciplina “Direito, Economia e Democracia”, além de cursos de extensão em Direito Penal Médico, Processo Penal,  Direito Penal Econômico e Criminologia em diversas instituições de ensino.

Atividade profissional: Advogado criminalista e professor universitário

Naturalidade: Presidente Epitácio

Contato: (18) 3223-1081 e 99743-3233; e-mail: [email protected]

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