Preço do diesel preocupa

OPINIÃO - Walter Roque Gonçalves

Data 22/03/2026
Horário 04:30

O Brasil é um país que se movimenta sobre rodas. Aproximadamente 65% a 70% de toda a carga transportada no país depende do modal rodoviário, segundo dados da CNT (Confederação Nacional do Transporte) e da EPL (Empresa de Planejamento e Logística). Em outras palavras, quase tudo que se produz, vende ou consome passa, em algum momento, por um caminhão. Isso torna o combustível não apenas um insumo relevante, mas um elemento central da engrenagem econômica — e qualquer oscilação em seu preço se espalha rapidamente por toda a cadeia produtiva.
Quando há qualquer ameaça de conflito no Oriente Médio, o mercado global reage imediatamente. O petróleo sobe não apenas pela redução real de oferta, mas pela expectativa de risco. Rotas estratégicas podem ser afetadas, a produção pode ser comprometida e o mercado antecipa esse cenário elevando os preços. Isso significa que, mesmo sem escassez imediata, o impacto já chega ao Brasil via dólar e cotação internacional.
Do lado interno, a situação se torna ainda mais complexa. O Brasil não é isolado desse movimento global e, ao mesmo tempo, carrega seus próprios desafios. A estrutura de distribuição, a carga tributária e a dinâmica regional de oferta fazem com que o repasse de preços nem sempre seja linear — mas quase sempre seja inevitável. O empresário sente isso no frete, no custo da matéria-prima, na energia e, principalmente, na previsibilidade do caixa.
Agora, soma-se a esse cenário um risco ainda mais sensível: a paralisação de caminhoneiros. Caso isso se concretize, o impacto deixa de ser apenas financeiro e passa a ser operacional. Empresas podem enfrentar ruptura de estoque, atraso em entregas, perda de faturamento e até paralisação total de atividades. Não se trata apenas de pagar mais caro — trata-se de, eventualmente, não ter acesso ao insumo.
Diante desse cenário, a pergunta que fica não é “como evitar o problema”, mas “como responder a ele”. Empresas mais preparadas tendem a sofrer menos porque possuem controle de custos, análise de margem por produto, gestão eficiente de estoque e alternativas logísticas mapeadas. Já aquelas que operam no limite, sem clareza financeira, acabam sendo as primeiras a sentir os efeitos mais duros.
Crises como essa não são novas — e nem serão as últimas. O que muda é a forma como cada empresa se posiciona diante delas. Em um ambiente de incerteza, gestão deixa de ser diferencial e passa a ser questão de sobrevivência.
No fim, o empresário não controla o preço do petróleo, o câmbio ou conflitos internacionais. Mas controla — e precisa controlar — a forma como sua empresa reage a tudo isso.
“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.” — Charles Darwin.

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