À procura

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 20/10/2019
Horário 04:56

Numa das mais conhecidas e compartilhadas citações de Santo Agostinho, lemos: “Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”. E Sigmund Freud: “se você ama, sofre. Se não ama, adoece”. Há quem evite amar para não sofrer; sendo assim, sem amar, porque viver?

Acredito que falar em amor e amar é abordar a sempre instigante procura pelo sentido da vida. Quando uma pessoa tem dificuldades para estabelecer vínculos de amor com os outros, acaba se tornando muito vulnerável emocional e mentalmente. Não é o homem que dá sentido à sua vida, mas é a vida que a todo o momento nos cobra um sentido. Viktor Frankl – psiquiatra e fundador da logoterapia (a ”terapia através do sentido”) – afirma que a sobrevivência do ser depende da capacidade de orientar a própria vida em direção a um “para que” ou um “para quem”, ou seja, a capacidade do ser de transcender-se.

Seguindo, compartilho uma história. Certa vez um pedaço de ferro, outro de madeira e uma pedra foram mundo afora à procura do sentido da vida. Caminharam até a beira do mar. Todos se entusiasmaram pela imensidão, pela beleza das ondas, por suas cores e transparências. O ferro entusiasmou-se sobremaneira. E logo foi dizendo aos seus amigos – a madeira e a pedra – que havia achado o seu lugar. Ali, naquele mar, iria realizar-se. E jogou-se ao mar. Todavia, rapidamente percebeu o engano, pois a água salgada do mar enferrujou o ferro que para nada mais servia.

A pedra e a madeira continuaram o seu caminhar em busca de um sentido para suas vidas. Depois de longa andança, ao anoitecer, chegaram a uma floresta. Viram um clarão que se levantava brilhante, e se aproximaram para conhecer de perto essa luz maravilhosa. O pedaço de madeira entusiasmou-se com a luz e o calor, e jogou-se dentro das chamas, em busca de realização. Mas a madeira queimou, virou cinza e para nada mais servia.

A pedra continuou o seu caminho. Naquela noite, chegou perto de uma casinha muito simples, atraída pelo choro de uma criança. Ao aproximar-se, espiou num buraco por onde entrava um vento muito frio que provocava o choro da criança. Percebendo isso, jogou-se contra o buraco, fechando-o. A criança parou de chorar. Descobriu, então, que o sentido de sua vida era, dentro de suas possibilidades, ajudar a quem precisava.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

 

 

Veja também