“Revelando Hilda Hilst” 

Entre 1º de fevereiro e 15 de março de 2020, teve uma exposição sobre as obras de Hilda Hilst no MIS (Museu da Imagem e Som) e eu estive lá. Foi um momento fascinante e ao mesmo tempo surpreendente. A exposição, denominada, “Revelando Hilda Hilst” marcava o início das comemorações do aniversário de 50 anos do MIS. 
Hilda Hilst (1930-2004) foi uma renomada escritora, poeta, cronista, dramaturga e ficcionista brasileira, considerada uma das maiores vozes da literatura em língua portuguesa do século XX. Hilda de Almeida Prado Hilst nasceu em 21 de abril de 1930, na cidade de Jaú, interior de São Paulo. Filha de Apolônio de Almeida Prado Hilst, um fazendeiro e jornalista, e de Bedecilda Vaz Cardoso. 
Hilda teve uma infância marcada pela separação dos pais em 1932, o que a levou a se mudar com a mãe para Santos. O seu pai, Apolônio, a rejeitou, quando soube que era uma menina, dizendo: “Que azar”! Já a sua mãe foi a sua grande incentivadora para que se tornasse escritora. Ele foi considerado esquizofrênico, mais tarde. Em 1937, ingressou no Colégio Santa Marcelina, onde estudou até 1944. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo, mas dedicou-se exclusivamente à literatura a partir de 1954, estreando com a publicação de seu primeiro livro de poesias, intitulado “Presságio” (1950). Desde então, foram mais de 40 obras publicadas, várias traduções internacionais e inúmeros prêmios. 
Em meados da década 1960, constrói a Casa do Sol, nos arredores de Campinas, atualmente sede do Instituto Hilda Hilst, tombada pelo patrimônio histórico de Campinas em 2011, e que abriga seu acervo pessoal, biblioteca, roupas, além de manter um programa de residências artísticas. Durante muitos anos, na década de 1970, Hilda iniciou um experimento no qual tentava se comunicar com os mortos. “Vocês mortos vivem?”. Esta era a pergunta que norteava sua busca incessante para alcançar o-quiça-inatingível. Hilda Hilst se isolou na Casa do Sol e lá permaneceu até a sua morte. 
“Tive a sorte e o prazer enorme de morar e trabalhar com ela durante quatro anos no começo da década de 1990”, disse o curador dessa mostra, Jurandy Valença. Essa mostra foi uma homenagem à Hilda com as suas múltiplas facetas; além de escritora, poeta, dramaturga e cronista, também desenhista que criava seres híbridos que se situavam entre o humano, o animal e o vegetal, em uma atmosfera que dialoga muito com o surrealismo. 
A exposição reuniu fotografias e desenhos de sua autoria nunca antes exibidos em público, além de instalação sonora inédita na qual foi possível ouvir sua voz por intermédio de gravações originais realizadas na década de 1970. O projeto também apresentou leitura de seus poemas, filmes e leitura dramática de algumas de suas peças, como “O visitante”, escrita em 1968 em plena Ditadura Militar. 
Em seu livro “Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão”, diz assim, “De que são feitos os dias? - De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças”. Outro trecho do livro “Da Morte. Odes Mínimas”, “Viver é muito perigoso. E, no entanto, se vive”.  “Eu sou lúcida. E a lucidez me dói. Porque viver lúcido é um ato de coragem”. “Viver dói, mas a gente insiste”. Hilda estaria fazendo nesse dia 21 de abril de 2026, 96 anos. Parabéns, Hilda Hilst! 

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