“Sustentar os netos: uma situação cada vez mais frequente”

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 16/03/2021
Horário 09:50
Beto Rockfeller, personagem vivido por Luiz Gustavo
Beto Rockfeller, personagem vivido por Luiz Gustavo

O velho ditado popular “Quem pariu Matheus que embale” (dizem que o correto seria “Quem pariu aos maus teus, que balance” ou “Quem pariu e bateu que balance”) dá a conotação popular de: não quis ter filho? Então, cuide... Tais valores eram inquestionáveis há algumas gerações e se associavam a outro dito da sabedoria popular: “Quem casa quer casa”. Pai e mãe sabiam que ao terem um filho tinham que automaticamente arregaçar as mangas e batalhar pelas suas subsistências e necessidades. O empobrecimento das famílias, a falta de oportunidades e empregos para os mais jovens, associado ao aparecimento de gerações ociosas com visões distorcidas entre direitos e deveres, têm determinado que as rédeas da criação de um filho sejam distribuídas em outras mãos. Os avós passam a ser os responsáveis diretos em assumir esta liderança de custear o sustento do neto, plantado em seu colo, por inúmeros motivos: falta de renda temporária ou contínua de seus genitores, casamentos desfeitos, e netos que se tornaram os filhos do primeiro casamento de seus pais (o segundo plano dos primeiros filhos), pais que têm que trabalhar e deixar seus filhos na creche-vó mais disponível, e também por muito pai e mãe folgados numa imaturidade irresponsável que simplesmente acha que seus pais têm obrigação de cuidar dos seus netos.  O Código Civil estabelece a obrigação dos ascendentes em assegurar os recursos de que os netos necessitem para viver de modo compatível com sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação, caso os pais não possam fazê-lo. Como se trata dos netos, se os pais não tiverem condições de sustentar os filhos, é possível que o Poder Judiciário determine o pagamento de pensão alimentícia. Ou seja, o dever para com os filhos é dos pais, e somente na falta total de condições destes é que se transmite para os avós, com responsabilidade tanto dos maternos quanto dos paternos, em igualdade de condições. 
Acabou-se a visão que a responsabilidade por um filho acaba quando ele se casa. Algumas novas contas podem vir a partir daí. 

 

Túnel do tempo: Beto Rockfeller


As novelas modernas nacionais tiveram origem a partir de 1968, com esta produção das 20h da TV Tupi que revolucionou e nacionalizou as tramas. Até então, as novelas eram baseadas em originais argentinos ou mexicanos, se passavam em países distantes, e os heróis eram condes, príncipes e galãs de nomes pomposos. Tudo veio abaixo com Beto Rockfeller, um anti-herói, um verdadeiro cara-de-pau que era vendedor em uma loja de sapatos e à noite bancava o milionário com lorotas para se infiltrar no high society. O personagem vivido por Luiz Gustavo não era mais o herói bondoso ao extremo, cheio de boas intenções para salvar a mocinha romântica, e sim, um cascateiro disposto a se dar bem. Ajudado pelo amigo mecânico Vitório (Plínio Marcos) ele pega um carrão na oficina e vai dar suas voltas pela Rua Augusta. E passa a levar duas vidas paralelas, a do moço Beto trabalhador que tem a namoradinha pobre de infância, a doce Cida (Ana Rosa) e o bicão Rockfeller que enganava Lu (Débora Duarte), uma patricinha dos Jardins. Sucesso Nacional escrito por Bráulio Pedroso. Um elenco com Irene Ravache, Bete Mendes, Marília Pêra, Maria Della Costa e Walter Forster com interpretações despojadas e ritmo moderno. Em 1973, houve uma tentativa de reeditar o sucesso com a novela “A Volta de Beto Rockfeller”, mas sem sucesso. 

Dica da Semana

Globoplay

Desalma:
Série escrita por Ana Paula Maia: A história se passa em Brígida, cidade do interior do Sul do país, com uma população assustada por fenômenos sobrenaturais após o desaparecimento de uma jovem em uma celebração de tradição ucraniana. Primeira produção de terror da Globoplay traz magistral interpretação de Cássia como a protagonista Haia Lachovicz (Cássia Kiss), e a presença madura de nomes como Maria Ribeiro, Cláudia Abreu, Bruce Gomlewsky e Alexandra Richter em um elenco de jovens dirigidos por Carlos Manga Jr.

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