A bruma é densa, contudo, prossigamos

Estamos sentindo uma ameaça no ar constantemente. Um desconforto nos invade. Somos bombardeados o tempo todo com notícias catastróficas. Guerras, aumento dos combustíveis, extinção de animais, sequestros, feminicídio, poluição, corrupção, meio ambiente em sofrimento, terrorismo, e muito mais. Acontecimentos trágicos, onde fica evidenciada a violência humana, fogem de nossa compreensão. A crueldade nos tenta tirar o equilíbrio o tempo todo. Precisamos cada vez mais de esperança, fé, crença e determinação. 
Reflexões são necessárias. A mente humana é um universo psíquico sem limites e sem fronteiras. Necessita de um continente para depositar expressões ou conteúdos, não digeridos, não entendidos, não passiveis de ser contidos. São intoxicações psíquicas não toleradas. Quantas expressões destrutivas poderíamos evitar, se todas as pessoas tivessem ou quisessem uma oportunidade para manifestações de suas questões internas advindas do psiquismo! Precisamos encontrar continentes para depositar conteúdos que não damos conta de tolerar e elaborar. 
Acredito que estamos desesperançados e com muita dificuldade em acreditar na capacidade do ser humano em ser bom, confiante, ético, generoso ou amoroso. Cada vez aumenta mais a distância e a descrença do contato emocional entre as pessoas. Muitas vezes o melhor é adentrar regiões nebulosas ou brumadas como uma fuga da realidade. Muitos mergulham em continentes utópicos ou ficcionais. Psicotizamos para não adentrar a região do amor, das ligações e do encontro. 
Desilusões em progressão geométrica. O advento da tecnologia junto com o descontrole impera.  O medo de perder pode originar-se de uma perda primária que foi devastadora. É um vai e vem na cadeia de sobrevivência. “Se amar ou entregar-me vou perder, não tolero perdas então não vou me ligar às pessoas”. A contemporaneidade trás experiências entre pessoas que nunca tiveram ou experienciaram relações amorosas. Observamos certa alexitimia no ar. É inexistência do contato, do vínculo, afeto, do amor, do tratar bem. 
Esses dias, observei uma relação amorosa de vovó com sua neta. Como oferecem doces aos seus netos! Por que será? E onde estão os vovôs da contemporaneidade? Com amor, poderíamos evitar muitas tragédias existentes por aí. Sonhei que havia muitos aviões agrícolas, pulverizando amor, paz, justiça e verdade pela terra ao invés de veneno, para matar pragas. A bruma é densa, contudo, prossiga. Em “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa, diz assim: “...Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio de alegria, e mais alegre no meio da tristeza...”.
 

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