Nossa experiência no atendimento de crianças e adolescentes no dia a dia concorda em gênero e grau, com as estatísticas, de que a depressão e outros transtornos mentais aumentam, vertiginosamente. As crianças necessitam de atenção, escuta e de um olhar vivo e curioso dos pais. Estamos perdendo a curiosidade. O interesse sobre o que as crianças estão fazendo, investigando, questionando é superimportante e devemos dar sentido, significado e seguir expandindo e estimulando os seus pensamentos e ideias.
Elas são muito perspicazes e percebem que eles estão com sua atenção voltada às muitas outras questões. O uso excessivo de telas e redes sociais, pressão escolar, bullying, isolamento, instabilidade econômica familiar e luto na família são as causas principais. Há muitas famílias que priorizam os aspectos mais concretos e intelectuais e as crianças acabam tendo uma agenda lotada e pouco tempo para brincar de forma livre, dificultando o desenvolvimento da autonomia, subjetividade ou identidade.
A inteligência emocional é muito mais importante do que a intelectual. Atualmente são necessários o autoconhecimento e o discernimento sobre as nossas próprias questões do nosso mundo interno. Tanto as crianças como os adolescentes estão crescendo com mais notícias ruins do que gerações anteriores e esse fato afeta também. Mães depressivas afetam de forma direta o relacionamento com os filhos, pois, há dificuldades de acolhimento, de continência, afeto e a criança, decide manter dentro de si, ideias ruins, deixando de compartilhar muitas de suas ideias, fantasias e o imaginário.
A família também está adoecendo, muitos pais chegam esgotados, sem saber manejar. A criança /adolescente é o sintoma de um sistema familiar sobrecarregado. No consultório, a criança expressa, brincando conosco, todas as suas fantasias e o seu imaginário, ou seja, o seu universo psíquico. A criança expressa o seu terror interno. Elas vivem assustadas, com medo da morte dos pais, de serem abandonadas, de perdas de entes queridos, etc.
Tanto a depressão como a ansiedade afeta o desenvolvimento da criança e dificulta o seu convívio social. Há dificuldade de concentração, memória e aprendizado. Queda no rendimento escolar. Atrapalha criar vínculos e aprender sobre empatia. Perda do interesse em brincar. Emocionalmente, há uma visão negativa de si, autoestima lá embaixo torna-se base para uma vida toda. A procura por ajuda especializada é necessário, muitas vezes a criança ou adolescente precisa mesmo é de uma boa escuta, de uma boa conversa e de um olhar interessado. Excesso de medicalização não é somente a solução. Embalar as crianças é preciso.