A Polícia Civil de Dracena, através das unidades especializadas DIG/Dise (Delegacias de Investigações Gerais e Sobre Entorpecentes), responsáveis pela coordenação das investigações sobre o feminicídio de Thalya Andréya Canhim Nunes, de 21 anos, ocorrido no dia 6, vai confrontar as declarações prestadas pelo companheiro dela, 24 anos, aos demais elementos de prova já produzidos no curso do inquérito policial.
O investigado foi preso temporariamente na sexta-feira e, conforme divulgado pela Polícia Civil, no sábado, foi devidamente cientificado de seus direitos constitucionais, inclusive o de permanecer em silêncio, e optou por prestar declarações na presença de um familiar, que acompanhou integralmente o ato. Durante o depoimento, ele apresentou nova versão dos fatos e confessou ser o autor do assassinato.
Segundo relatado pelo suspeito, o crime ocorreu após uma discussão motivada por ciúmes, em razão de supostas mensagens trocadas pela vítima com outra pessoa. O envolvido afirmou que, durante um desentendimento ocorrido na tarde do sábado, dia 6, iniciou uma agressão física contra a companheira, que acabou sendo estrangulada.
Ainda conforme sua versão, um cadarço encontrado envolto ao pescoço da vítima pertencia a um de seus tênis. Ele declarou que utilizou o objeto para apertar o pescoço dela e, posteriormente, o amarrou a uma cadeira. Após os fatos, deixou a residência e dirigiu-se à casa de um colega, onde permaneceu assistindo a uma partida de futebol transmitida pela televisão.
O investigado também confirmou ter produzido cortes que foram encontrados nos braços da vítima após retornar ao imóvel. Segundo alegou, acreditava que ela ainda apresentava sinais vitais e decidiu simular um suposto suicídio, afirmando que a companheira já teria tentado contra a própria vida em ocasião anterior.
Em seu depoimento, declarou ainda que a discussão teve início no quarto do casal e que posteriormente transportou o corpo da vítima, já desfalecida, para um cômodo localizado nos fundos da residência. O suspeito confirmou também que permaneceu na casa durante a noite do sábado para domingo, juntamente com as filhas do casal, saindo novamente do local nas primeiras horas da manhã de domingo.
“As investigações prosseguem para o completo esclarecimento das circunstâncias do crime”, destaca a Polícia Civil.
O caso
Como noticiado neste diário, o investigado foi capturado na última sexta-feira, durante a Operação Florescer. A ação foi deflagrada após o corpo de Thalya ser localizado, na manhã do domingo, dia 7. Ela foi encontrada em estado de rigidez cadavérica, apresentando lesões aparentes e com um segmento de fio envolto ao pescoço.
Ainda no domingo, o então suspeito compareceu espontaneamente à CPJ (Central de Polícia Judiciária), acompanhado por advogado, negou qualquer envolvimento na morte da companheira e apresentou versão atribuindo o óbito a um suposto suicídio.
No decorrer das investigações, foram ouvidas diversas pessoas ligadas à vítima e ao investigado, entre elas familiares e pessoas próximas, permitindo aos policiais reunir informações relevantes sobre o histórico de convivência do casal e as circunstâncias que antecederam os fatos.
“Com o avanço das diligências e a análise conjunta dos elementos informativos e das provas técnicas produzidas pela Polícia Científica, surgiram robustos indícios apontando para a prática de feminicídio ocorrido no contexto de violência doméstica e familiar”, apontou a Polícia Civil.
“As evidências reunidas também indicaram que o investigado teria tentado alterar a cena dos fatos e construir uma falsa narrativa de suicídio, com o objetivo de dificultar ou desviar o curso das investigações. As apurações apontam ainda que os fatos teriam ocorrido no interior da residência familiar e na presença de crianças que residiam no imóvel, circunstância que amplia a gravidade do caso e reforça a relevância da pronta atuação dos órgãos de persecução penal”, prosseguiu o órgão investigativo, que, diante do conjunto probatório produzido, representou pela decretação da prisão temporária do investigado pelo prazo de 30 dias, bem como pela expedição de mandado de busca e apreensão domiciliar.