A Esposa que Controlava o Marido com Rédea Curta

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista que não vende ilusões. Por enquanto!

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 08/12/2020
Horário 05:30

O Ambrósio já não aguentava mais as admoestações de sua esposa Pasqualina. Por qualquer bobagem, ela pegava no pé do marido sem dó nem piedade. "Por que demorou para voltar para casa, seu cretino? Olha a sujeira em seus sapatos", vociferava a mulher, que tinha obsessão por higiene.
Depois da bronca, ela o obrigava a tirar os sapatos e passava um pano nos pisantes, gíria antiga para designar calçados em geral. Só após a limpeza dos sapatos é que Ambrósio era autorizado pela megera a entrar em casa, o lar nada doce lar de um casal mais bagunçado do que a economia brasileira.
Resumo da ópera:  Ambrósio e Pasqualina viviam às turras, repletos de desavenças na vida a dois (não esquecer que há vida a três quando aparece o Ricardão). Mais do que rainha do lar ela era gerentona do lar e implicava com quase tudo o que o Ambrósio fazia em casa. 
Ele não tinha liberdade nem para fritar ovo ou para usar o liquidificador na preparação de uma vitamina com "sustança" (dizem que ele adicionava mocotó).
"Deixa que eu frito, você suja o fogão quando frita ovo", dizia Pasqualina, mais mal-humorada do que correntista em fila longa de banco. Era bronca em cima de bronca, uma média de dez broncas diárias, segundo sua contagem durante uma rodada de cachaça e de cerveja no bar da esquina. 
Com uma esposa tão "crica", mais chata do que discurso do Tchutchuca, o Ambrósio arrumou um apelido para a mulher. E o danado demonstrou ser criativo. Depois de receber mais uma bronca - ela cismou que o marido tinha chulé -,  Ambrósio deu uma de "chulo" e apelidou Pasqualina de Azedinha.
Ela ficou uma onça, brava pra cachorro ou, no caso, brava pra cadela. "Não admito que você me chame de Azedinha, Azedinha é a comadre da sua vizinha", vociferou a megera.
Só para sacanear a mulher, Ambrósio insistia em chamá-la de Azedinha, como naquele começo de noite quando voltou bêbado para casa. Ao ver o marido naquele estado, Azedinha soltou os cachorros para cima do coitado: "Muito bonito, hein? Seu pau d’água, agora chega bêbado todo dia. Não tem vergonha?", falou a mulher.
E acrescentou: "Seu pinguço trapalhão, você só gosta de encher a cara". Ao que Ambrósio, depois de coçar a cabeça e arrancar um fio da barba, emendou de bate-pronto: "Ocê está enganada, Azedinha. Eu gosto é de garrafa, e garrafa cheia eu não quero ver sobrar. Também gosto de tonéis de carvalho, onde sempre tem "água boa"", explicou sarcasticamente, incluindo na explicação um trecho da marcha carnavalesca Saca-Rolha, do casal Zé da Zilda e Zilda do Zé.
Ao ouvir de novo o apelido, a Pasqualina mais uma vez ficou fula, o que levou o marido a se explicar novamente: "O Osmar, dono do bar, criou um novo coquetel que, a meu pedido, ele batizou de Azedinha, em homenagem a você, queridinha. É pinga de alambique com limão galego e romã picada", disse o Ambrósio, desculpando-se por mencionar o incômodo apelido.
Depois, ele esclareceu que tinha bebido quase uma garrafa inteira do coquetel em "homenagem" à esposa, madame Azedinha, uma chata sem galocha.
    
DROPS

Só de tentar comer Calabresa, o Marcius Melhem teve congestão.

A coisa está feia. Chamem o maquiador.

Brasil, país do futuro... incerto.

Vendedor de limão na feira não é camelô.
É empreendedor.
 

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