A falsa perfeição cristã

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 28/06/2020
Horário 04:50

A vida tende à sua própria perfeição. Todos querem ser cada dia melhores; tanto mais na vida cristã cujo progresso se dá por sua própria natureza até chegar ao céu. Entretanto, nesse caminho, há erros cometidos por falsas concepções acerca da perfeição. Quem não tem nenhum agir cristão comete erros, mas este texto fixa-se em quem se considera em um alto grau de perfeição. Na lista de falsas percepções da perfeição cristã, há vários itens. Hoje, serão tratados dois.

Primeiro é confundir a devoção com devoções. É importante distinguir o ‘ser devoto’ do ‘praticar devoções’. Essa confusão faz muita gente pensar que a perfeição cristã consiste em rezar bastante e pertencer a muitos grupos, movimentos e pastorais da Igreja, descuidando das suas obrigações diárias com o próximo, inclusive da caridade com os de sua própria casa. Cuidam do acessório e descuidam do principal. Há quem por recitar muitas orações, participar de muitas missas, assistir os ofícios e comungar, acredita já ter chegado ao grau supremo de perfeição.

Não se quer dizer com isso que tais práticas sejam ruins. Não são a perfeição, mas meios para chegar a ela. Podem ser frutos de santidade de uma pessoa. Usados com prudência servem para adquirir forças na luta contra o inimigo e para alcançar o auxílio misericordioso de Deus. Servem para avançar na perfeição, mas não significa que ao praticá-las já se possa considerar santo e melhor que os outros. Há no evangelho exemplos de pessoas cheias de si por cumprirem práticas exteriores da religião.

Segundo é sacrificar ou mortificar o corpo, mas não a língua. Há quem faz jejuns e mortificações. Não se atreve a tocar o vinho com a ponta da língua, mas não tem medo de “colocá-la no sangue do próximo com maledicências, fofocas e calúnias”. São João Crisóstomo ensina: “A honra do jejum consiste não na abstinência da comida, mas em evitar as ações pecaminosas; quem limita o seu jejum apenas à abstinência de carnes o desonra. Praticas o jejum? Prova-me por tuas obras!”

Quais obras, pergunta o santo. “Se vires um inimigo, reconcilia-te com ele! Se vires um amigo tendo sucesso, não o inveje! Se vires uma mulher bonita, passe sem olhar! Que não apenas a boca jejue, mas também os olhos, e os ouvidos, e os pés, e as mãos, e todos os membros de nossos corpos. Que as mãos jejuem sendo puras da avareza e do roubo. Que os pés jejuem, deixando de caminhar para espetáculos imorais. Que os olhos jejuem, não se detendo sobre feições belas, ou se ocupando de belezas exóticas.”

No caminho da perfeição é bom mortificar a língua, pois mesmo com jejuns e penitências corporais, ela poderia levar ao inferno. Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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