A canção do Rappa, “Pescador de ilusões” (1996), remete-me aos tempos em que, Pedro, discípulo de Jesus, vivia a angústia de não ter dinheiro para pagar os impostos. Naquele tempo ele ainda não conhecia Jesus que já realizava pregação e milagres. Pedro desesperado e, junto com o seu irmão, jogava a rede a noite toda e, ao recolhê-la, nada pescava. Ele dependia da pesca para pagar a sua dívida, que só acumulava.
Atônitos, nos encontramos em tempos tão sombrios, desesperançosos “jogamos nossa rede e o peixe não vem”! Excessos, indiferença, maldade, é só o que temos para pescar? Andamos todos, como em retas paralelas, distantes onde não há o acolhimento, tampouco o encontro. Há um grande desencontro, em todos os sentidos. A música diz assim:
“Se meus joelhos não doessem mais, diante de um bom motivo, que me traga a fé. Se por alguns segundos eu observar, e só observar, a isca e o anzol... Ainda assim estarei pronto pra comemorar se eu me tornar menos faminto e curioso, curioso. O mar escuro trará o medo, lado a lado, com os corais, mais coloridos. Valeu a pena, valeu a pena, sou pescador de ilusões. Se eu ousar catar na superfície de qualquer manhã, as palavras de um livro sem final, sem final, final. Valeu a pena, valeu a pena”.
Temos no nosso dia a dia, experiências com a dualidade da vida, onde o medo e os desafios (mar escuro) coexistem com a beleza e a alegria (corais). Há sentido nos livros, a busca contínua pelo conhecimento. É um sentido e propósito na vida, que nunca se esgota. A Bíblia é um deles. Não podemos desistir, desistir dos nossos sonhos, precisamos jogar a isca, esperança e fé. Precisamos de força para continuar lutando, mesmo com dores físicas e psíquicas, é preciso sonhar, apesar dos obstáculos. Ter ideais e aguardar a felicidade compensa! Penso que temos de seguir e buscar além das ilusões. A primeira epistola de São Pedro diz assim: “Toda a carne é como erva e toda a sua glória como a flor da erva. Secou a erva e sua flor caiu; mas a Palavra do Senhor permanece para sempre. Pedro jogou a rede, Pedro pescou, acreditou, após conhecer Jesus. Pedro pagou a sua dívida.