A sogra e a nora (crônica baseada em um conto budista)

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista contra o excesso de pedágios nas estradas

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 19/03/2026
Horário 05:30

A sogra e a nora não se entendiam de jeito nenhum. Brigavam mais do que gato e cachorro, se é que bichanos e cães brigam tanto assim. Elas viviam às turras. Teimosas, brigavam por qualquer besteirinha. Desavenças e conflitos que pareciam não ter fim.
Na verdade, verdade verdadeira, a nora não "engolia" a sogra e - pasmem! - pensou em matá-la. Sim, isso mesmo que o Cebolão e o Satanyahu causam no Irã: matar. 
A nora era amiga de um médico, que também entendia um bocado de química. Ela o procurou e o colocou a par da situação conflitante que vivia com a sogra. E foi direta: "Quero que o senhor prepare um medicamento letal, que mate a minha sogra porque eu não aguento mais essa velha", explicou.
Surpreso, o médico disse que não poderia fazer isso e aconselhou: "Procurem se entender. Conversem bastante, dialogar é importante. Vocês podem se entender e viver em paz", sugeriu o médico, que também orientou: "Evite as provocações".
A nora não se deu por satisfeita, pois queria se livrar da sogra a todo custo. Por isso, insistiu com o médico: "Prepare a poção. Quero dar o líquido diariamente para essa "véia chata" até ela morrer", contou a jovem. 
Com tanta insistência, o doutor aceitou o pedido e preparou o medicamento a toque de caixa. Logo depois, entregou à nora. Ela começou a dar o líquido à sogra. Todo dia a sogra tomava uma colher do medicamento, mas para espanto da nora, a senhora continuava com uma saúde de ferro. Encurtando conversa: a sogra continuava vivinha da Silva.
Frustrada, a nora foi tirar satisfações com o médico: "Que remédio o senhor preparou? A minha sogra está ótima e até passou a conversar mais comigo. Nosso relacionamento melhorou", contou a moça. 
Foi aí que o médico se explicou: "Eu preparei um remédio falso, um placebo, porque sabia que mais cedo ou mais tarde você e sua sogra voltariam a se entender". Aliviado, o doutor, que era humanista, acrescentou que estava feliz por não ter cometido um crime e por restabelecer a paz entre a sogra e a nora, que viviam às turras e, hoje, preferem torrões e torresmos.

DROPS

A Páscoa é uma doçura, mas os preços dos ovos estão salgados.

Casamento: o que Deus uniu o cartório não separe.

O agente secreto se infiltrou na festa do Oscar, mas não deu certo.

A vaca come capim verde, mas o leite sai branco.
(Millôr Fernandes, adaptado)

Publicidade

Veja também