A soja

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista contra todas as ditaduras, inclusive a ditadura do proletariado

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 21/09/2021
Horário 05:30

A soja é um feijão asiático que os chineses comem há um tempão, talvez uns 6 mil anos, enquanto os japoneses, coreanos e outros povos orientais se alimentam dela há menos tempo.
O brasileiro não é muito chegado em soja, come pouco esse feijão ou leguminosa, como dizem os teóricos de plantão, essa turma que parece sofrer dessa doença comum hoje em dia, a doença de complicar o óbvio. E quando come soja, o brasileiro come de forma errada.
Os grãos são cozidos em água e sal, um prato não muito recomendável pelos gurus naturebas. O ideal é consumir os derivados da soja, como tofu, missô e shoyu, respectivamente, queijo, manteiga (ou pasta) e molho. É uma questão de alquimia ou de transformação.
Os grãos de soja são ácidos (yin), enquanto os derivados fermentados, como o missô e o shoyu, são alcalinos (yang) e fazem bem à saúde.
De um modo geral, a soja em grão não faz parte do cardápio dos restaurantes japoneses e chineses, a não ser que esteja fermentada. O sabor não é lá essas coisas.  Japonês, chinês e outros asiáticos não costumam ingerir soja em grão. Não quero assustar ninguém, principalmente vegetariano que não tem muito critério na alimentação e come soja em grão adoidado, mas houve um caso terrível no Rio Grande do Sul.
Um suinocultor alimentava os porcos só com grãos de soja. Depois de um determinado tempo, ele descobriu que os animais estavam com os ossos enfraquecidos. Exames comprovaram que os ossos viraram cartilagem. Tudo por causa da ração à base de soja em grão.
Mas nesses tempos malucos, em que há preocupação com o fantasma da impotência, o grão de soja é tido e havido como um ótimo afrodisíaco ou eurodisíaco, se me permitem tal neologismo. É o seguinte, tigrada: basta torrar o grão com sementes de gergelim e, depois de macerá-los (que língua, meu Deus!), misturar tudo.
Me garantiram que tal mistura, tomada em doses homeopáticas, é tiro sem queda do bilau. O laboratório que produz o Viagra que se cuide. E a soja torrada e salgada pode aliviar o desconforto provocado pela ressaca, que, dependendo do tamanho, não é ressaca: é maremoto. Já sobre o missô lembro que essa pasta de soja é, talvez, o único alimento antirradiativo existente. É com o missô que se prepara a famosa sopa conhecida como missoshiro, que é o prato de entrada nos restaurantes japoneses. Seus benefícios à saúde são extraordinários.
Quando os EUA jogaram a bomba atômica sobre Nagasaki, em agosto de 1945, alguns doentes internados num dos hospitais da cidade não foram afetados pela radiação, o que despertou a curiosidade dos médicos. Por que eles não foram atingidos? Porque tomavam sopa de missô todo dia, conforme descobriram mais tarde. Preciso falar mais sobre o missô? Acrescento apenas que essa pasta pode ser espargida (espargida? Meu Deus, que cronista erudito, sô!) sobre feridas e machucados em geral. Funciona como uma pomada natural de soja.
Quanto ao tofu, lembro que esse queijo também pode ser utilizado como medicamento, principalmente em casos de febre. Basta colocar o tofu em forma de emplastro sobre a pele, segundo ensina a medicina chinesa tradicional, que é mais velha que andar pra frente, coisa que o Brasil parou de fazer.
E o shoyu? Assim como o missô e o tofu, o  molho de soja é igualmente um remédio natural, além de ser o mais saudável condimento do mundo. Há uma mistura exótica que nem mesmo a maioria dos japoneses conhece.
É a mistura de shoyu com ban-chá, um remédio para dor de cabeça, cansaço e insônia. Esqueçam a soja em grão, exceto o grão torrado, e consumam seus derivados fermentados, que são alimentos da melhor qualidade. Mas atenção: certifique-se se o missô, o tofu e o shoyu foram produzidos com soja cultivada sem agrotóxicos.
A China chegou a recusar carregamentos de soja brasileira produzida com pesticidas, fungicidas e o diabo a cinco. É que, salvo engano, os chineses compram soja para se alimentar com os derivados, e não para fazer ração. Nesse ponto, chinês tem o olho bem aberto e não aceita comprar gato por lebre, ou seja, quer soja e não suja.

DROPS

Se antes índio queria apito, hoje quer reaver suas terras.

Brasil na banguela: há 30 milhões de desdentados no Brasil, um país de banguelas.

Uma coisa a mulher e o político têm em comum: ambos procuram um bom partido.

Em 2022, o Brasil vai crescer... que nem rabo de cavalo.
 

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