A Tragédia do Sarriá

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 16/06/2026
Horário 08:00

Se houve uma seleção brasileira de futebol que merecia ter ganhado a Copa do Mundo foi a geração de 1982, o escrete da Copa da Espanha, apogeu da chamada era do futebol-arte onde parecia impossível que a taça não fosse nossa. Selecionada pelo técnico Telê Santana, a equipe contava com nomes como Zico, Sócrates, Falcão, Júnior, Toninho Cerezo, Éder, Leandro, Serginho Chulapa e o goleiro Valdir Peres. Passamos como um trator pela primeira fase (União Soviética, Escócia e Nova Zelândia). Derrotamos a temida Argentina na segunda fase, até nos depararmos com a Esquadra Azurra da Itália no fatídico dia 5 de julho de 1982, no Estádio Sarriá em Barcelona. Falcão e Sócrates marcaram pelo Brasil, mas o carrasco Paolo Rossi marcou três gols no Brasil, eliminando a seleção sem que alcançássemos as fases finais, terminando em 5º lugar. A Itália ganhou seu tricampeonato à época, e aquele gosto amargo de derrota marcou toda uma geração, que teria que esperar mais três Copas, até 1994, para vencer novamente. Uma tragédia. Um dos maiores traumas do futebol brasileiro. 

Quando o assunto principal é sempre sobre si mesmo

Ser comunicativo não é necessariamente ser falante, mas sim estabelecer pontes completas de diálogo, onde o prazer em falar está equilibrado com a arte de ouvir. E ouvir, não é apenas calar-se para que o outro verbalize, mas sim, verdadeiramente aproveitar das falas alheias, usufruir as experiências dos amigos e parentes, e enriquecer o próprio conhecimento com o que lhe é dito. Tem gente que é uma metralhadora giratória de histórias sobre si mesmo, com narrativas longas, complexas e até repetitivas sobre seus próprios feitos. Não tem assunto que não sirva de verdadeiros monólogos e pareceres sobre suas próprias experiências com o tema. É sempre uma competição irreal sobre o tema. Ao invés de consolo, ou um ombro amigo, o interlocutor vai encontrar uma história parecida para servir de exemplo e sua dor aguda fica em segundo plano, pois o falante vai discorrer com riqueza de detalhes os seus próprios episódios. Mais do que simplesmente egocêntricos, geralmente agem por insegurança ou necessidade de autovalidação. Precisam ser o centro das atenções e querem ser admirados, ouvidos e aceitos, muitas vezes com traços de narcisismo embutido. Quando se calam, é apenas para um tempo necessário de respirar e reorganizar ideias. Não há história que o prenda, ou narrativa que não possa ser interrompida por estes tratores pretenciosos sedentos de atenção. Quando escutam uma história, é apenas para detectar o tema que ele vai discorrer em seguida. Muitas vezes no final da conversa, podem simplesmente nem saber o que os demais disseram. Não é fácil lidar com estes monotemáticos, mas é preciso elaborar algumas estratégias: direcione a conversa, mudando o assunto aos poucos; faça perguntas fechadas evitando longas dissertações; seja transparente, se houver intimidade, e diga com gentileza que também gostaria de compartilhar sua própria rotina; pondere o gasto de energia e o tempo que você tem para desperdiçar com essas conversas unilaterais. Um tchau precoce pode ser uma solução. 

Dica da Semana

Música / Shows

GERIATRICUS
Geriatricus é uma das bandas mais irreverentes da atualidade, pois misturam rock, pop, humor e teatralidade, com uma brincadeira com a velhice e com nossas memórias afetivas musicais. Um show imperdível que esteve em Presidente Prudente no último sábado, dia 13, e que pode ser curtida em plataformas digitais e redes sociais. Formados pelo trio Jean Lima (A “Véia” Dona Celeste), Gutinho e Leandrinho, merecem ser acompanhados.

 

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