Aguas

​O Espadachim, um cronista que, de leve, também puxa a brasa para sua sardinha

OPINIÃO - Sandro Villar

Data 07/07/2020
Horário 05:00

Água é um tema recorrente na música popular aqui e lá fora. O precioso líquido também se faz presente em diversas metáforas, a começar pelo clássico "desta água não beberei". Acho que não se deve pensar assim, pois o mundo dá muitas voltas e podemos beber a água que um dia, sem pensar direito, prometemos não beber.

Por falar em água, onde estamos mesmo? No planeta Água, como bem sacou o compositor e cantor  Guilherme Arantes. Ele está coberto de água, quer dizer, está coberto de razão em sua explicação até porque a Terra tem mais água (75%) do que propriamente terra, sendo, portanto, uma bola de água a vagar pelo Universo.

Tom Jobim, com sua bela canção "Águas de Março", diz que as águas de março fecham o verão, mas atualmente no sul do país as águas, com ventania forte, estão causando estragos e fazendo vítimas em pleno inverno, o que não deixa de ser surpreendente. Críticos americanos colocaram "Águas de Março" na lista das dez melhores músicas populares de todos os tempos.

Também é de Tom Jobim a bela "Água de Beber". Diz a lenda que o Tom foi visitar o grande residente Juscelino Kubistchek, em Brasília, e no terreno da casa onde JK morava havia uma mina de água. O compositor perguntou ao caseiro se a água era potável. "Água de beber", resumiu o caseiro. Bastou esta simples e genial frase de um homem humilde para inspirar Tom, tornando "Água de Beber" sucesso da bossa nova mundo afora.

Sim, seu Salim, o Brasil já foi moderno e, hoje, parece que deu com os burros n´água. Ou deu um tiro n´água. No embalo, a terceira metáfora seguida sobre a água, a surrada "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Presumo (faz tempo que não escrevo presumo aqui) que a água mole, além de furar, também inunda.

E os pescadores de águas turvas? É o que mais tem no Brasil atualmente. Virou praga. Águas passadas não movem moinhos e muita água ainda vai passar debaixo da ponte até a situação se normalizar neste mundo, o planeta Água. 

E tomem mais uma metáfora: água que passarinho não bebe, alusão à cachaça e outras bebidas alcoólicas. Vai ver é porque ainda não treinaram o passarinho, porque, se treinar, a avezinha se tornará um pau d´água de penas.

E os caras de paus? Caso sério. Elas raspam a barba e passam água velva no rosto, quando deveriam passar óleo de peroba. Está fazendo água é outra expressão interessante. Diz respeito ao navio que afunda, enfim, vai a pique.

Já falaram que o Brasil é um navio à deriva e cabe a pergunta: está fazendo água? Valha-nos Deus, Nossa Senhora e todos os santos. Já passou da hora de benzer o País com água benta, também indicada para quem tem sede de vingança.

 

DROPS

 

Agora vai: Temer é conselheiro do Bolsonaro (pausa para rir).

 

Quase que o presidente pôs tudo a Feder na Educação.

 

Grupo de risco é também aquele que está no mato sem cachorro.

 

Está explicado um general na Saúde: é para matar o coronavírus com tiro de canhão.

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