Amai-vos

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 19/06/2022
Horário 05:00

Não está fácil fazer-se compreender quando cada pessoa lê em contraposição. Não para apreender o que foi dito, mas para negá-lo, confrontá-lo ou até mesmo... confirmá-lo (sem reflexão). Sobejam exemplos. Há muito maniqueísmo. Branco ou preto. Luz ou escuridão. Oito ou oitenta. Há paleta variada de cores diversas. Há nuances de luz e de escuridão. E entre oito e oitenta, há setenta e duas possibilidades. Já me peguei várias vezes “cansado”, não querendo mais falar, debater, pois como seria possível fazê-lo se o interlocutor não aceita “as armas” do “duelo”? Se o time de futebol para o qual torço não está bem, além de chateação, cabeça inchada e troça dos amigos, seria razoável atribuir ao time uma condição que, ora, ele não tem? Seria de bom alvitre depreciar os jogadores do time adversário, mesmo ele estando em primeiro lugar na tabela do campeonato?
Estou tentando ilustrar a que ponto chegamos na ausência dos debates e nas brigas inócuas num bom número de assuntos. Durante a semana compartilhei numa rede social a seguinte publicação: “_para constar_ Ontem, o católico presidente do Brasil afirmou que Jesus Cristo ‘não comprou uma pistola porque não tinha naquela época’”. De fato, o presidente da República é católico (ele o diz sempre que pode). De fato, numa reunião (em conversa descontraída) com evangélicos, ao ouvir alguém citar a Bíblia, faz um gracejo sobre Jesus comprar pistola. De fato, em eventos religiosos (Marcha para Jesus, por exemplo) ele estava lá ouvindo sobre Jesus, louvando e adorando o Senhor... e fazendo “arminha” com a mão. Pergunto a você que me lê: seu conjunto de valores contempla a possibilidade de ser cristão e sair armado por aí a custa de “defender a si e aos seus”? Eu não sou seu juiz!
O que sei é “todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão” (cf. Mt 26,52). Não intenciono subverter a Palavra de Deus, nem dela fazer leitura fundamentalista, ou campanha política (ab) usando-a. Não. Todo crente deve viver sua fé como sal da terra e luz do mundo. Todo batizado deve viver como filho de Deus e levar ao mundo o sabor evangélico ou, como ensinou o apóstolo São Paulo, espargir o “suave e bom odor de Cristo” (2 Cor 2,15). Se o seu campo de atuação é a política partidária, tudo bem. Faça-o conforme a sua fé. Mas não distorça a Palavra de Deus para que ela afirme o que você faz. Não fica bem você usar o santo nome de Deus em vão. Não soa bem, pôr na boca, nas mãos e na ação de Jesus um comportamento que definitivamente ele não tinha. Amai-vos é a sua lei.
Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!
 

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