ANDY SEVINÇ, empresária de turismo e vlogueira, na Turquia

“Turcos abrem largos sorrisos quando falamos de Brasil e são grandes fãs de muitos Brasileiros”

VARIEDADES - DA REDAÇÃO

Data 16/08/2020
Horário 05:01
Cedida: Andy Sevinç, no “estúdio” improvisado em sua casa, onde grava seus programas para o YouTube
Cedida: Andy Sevinç, no “estúdio” improvisado em sua casa, onde grava seus programas para o YouTube

Andy Sevinç nasceu em Presidente Prudente, mas passou a infância em Presidente Epitácio. Sócia da mãe numa operadora de turismo na Turquia, especializou-se em assessorar viagens de brasileiros àquele país. Agora tem 27 anos. Formada em Estética e Cosmetologia, também cursou Comunicação Social, na Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) Unoeste, em Presidente Prudente.  Quando se mudou para a Turquia, inicialmente trabalhou como executiva de vendas de um resort de luxo na Capadócia, até associar-se à mãe Simone Duque Karaatli. No início deste ano, ela trouxe o marido Uğur para conhecer o avô  Deolino Rodrigues da Silva (Lael), em Presidente Prudente. Diz que ele adorou a cidade, e o Brasil.

Como você foi parar na Turquia?
Meu padrasto é turco e desde muito nova eu tive contato com a cultura, os hábitos e a história do país.  No ano de 2011, minha família resolveu se mudar para a Turquia, mas eu preferi permanecer em Presidente Prudente por conta da faculdade. Em 2014 terminei meus estudos, meu relacionamento chegou ao fim e a empresa onde trabalhava fechou as portas. Nesse momento, eu percebi que todos os campos da minha vida estavam “vagos” e que talvez fosse a hora de dar um “passo maior”. Não pensei duas vezes! Fiz um apartamento inteiro caber em duas malas e embarquei para a Turquia, lugar onde vivo até hoje.

Como venceu a barreira do idioma? Parece muito complicado...
Não foi fácil e ainda não é. Por ser fluente em inglês eu passei meu primeiro ano de Turquia completamente alheia ao idioma local.  A partir do segundo ano eu fui chamada para liderar uma equipe onde a língua turca era a principal forma de comunicação e, portanto, tive que “aprender na marra”. Hoje em dia sou apaixonada pelo idioma turco.

Você foi para a Turquia com vontade de ficar?
Sim. Passei meses ponderando essa decisão, mas sempre tive certeza de que seria definitiva. O fato de já ter família por aqui facilitou muito na adaptação.

Como você sabe tanto de cultura e história turca?
Eu leio muito, pergunto muito e quero sempre saber mais de tudo que está à minha volta. Abri os braços e a cabeça para a cultura, fiz questão de estar nos locais, comer o que comem, andar onde andam e aprender sobre suas experiências na prática. Trabalhar com turismo me deu a oportunidade de ver e viver o mundo, viajar bastante e ressignificar minha trajetória de imigrante como um ato de reinvenção pessoal. Funcionou!

O que os turcos acham dos brasileiros?
Amam nosso povo, abrem largos sorrisos quando falamos de Brasil e são grandes fãs de muitos brasileiros. O jogador de futebol Alex de Souza teve uma estátua erguida em sua homenagem no bairro de Kadiköy em Istambul. Há atrizes brasileiras residentes na Turquia que são verdadeiras celebridades, assim como participantes de reality shows.

Como as turcas lidam com amizade?
São desconfiadas num primeiro momento, mas, quando percebem que você “veio para bem”, são muito receptivas. Tenho amigas turcas maravilhosas e sei que posso contar com elas em qualquer ocasião. Uma vez que você é “da família”, elas sempre irão te defender.

E turca que perguntou do seu corte de cabelo e você reagiu dizendo que tirou para lavar?
Eu saí do Brasil com cabelos longos e loiros. Cheguei aqui e decidi radicalizar: vida nova, cabelo novo! Cortei bem curtinho no melhor estilo “pixie cut” e tingi de preto. Após alguns meses deixei crescer novamente e num belo dia passei a tesoura outra vez. Nessa ocasião uma antiga colega de trabalho perguntou “indignada”: o que você fez com seu cabelo??? Dizer que “tirei pra lavar” foi a solução mais bem humorada que eu encontrei já que na minha cabeça a pergunta foi invasiva e fora do tom. 

Turcos são estranhos em alguns aspectos, você disse num vídeo, quais por exemplo?
Eles têm uma forma muito peculiar e diferente de lidar com situações cotidianas. Nem sempre eles seguem aquilo que consideramos óbvio ou normal. Um exemplo clássico é que eles não conseguem formar filas indianas no comércio quando desejam ser atendidos. Tudo é um pouco “bagunçado” nesse sentido.  Por outro lado, a ideia de “poltrona preferencial” no transporte público é quase que incompreensível para eles, uma vez que todos se levantam quando percebem que há outras pessoas que necessitam se sentar.

Porque decidiu criar o canal “Turquia para brasileiros”?
Eu sempre fui a piadista do trabalho e vivia escutando dos meus colegas e namorado (hoje esposo) que eu deveria ter um canal. Na época, a youtuber Americana Liza Koshy estava em alta e eles queriam muito que eu criasse conteúdo humorístico. Mesmo sendo “filha de artista”, eu tinha vários receios quanto à exposição e protelei bastante. Quando fiquei noiva, meu companheiro (que é fotógrafo e produtor audiovisual) me convenceu a gravar um primeiro vídeo. Ele me ensinou a usar o equipamento, editar e criar a identidade visual do canal. Desde então, eu decidi unir o útil ao agradável: falar de Turquia pelo ponto de vista de uma Brasileira jovem, independente, sem tabus, sempre focando numa abordagem mais direta, que informasse as pessoas mas também fosse divertida. De testa franzida basta o resto da vida. Meu canal nasceu como um passatempo e se manteve dessa forma até o início da quarentena (Março) quando eu senti a necessidade de focar na criação de conteúdo. Atualmente eu posto 2 vídeos por semana, sempre dando dicas de viagem, falando sobre as curiosidades da Turquia, mostrando meu dia a dia por aqui, etc.

Como foi sua adaptação à Turquia?
Muito tranquila! Adoro a comida, as pessoas, a música, o cinema, as estações do ano. O idioma foi a parte mais complicada, mas felizmente essa barreira não existe mais.

Quais são os lugares mais bacanas da Turquia recomendados por você?
Em Istambul eu sou apaixonada pelos arredores da Galata Tower e gosto muito do Café Parole na Avenida İstiklal. O bairro de Kadiköy também é fascinante. Na Capadócia meu templo sagrado de paz é o Vale dos Pombos e sua trilha perfeitamente arborizada.

Para os amantes de praia a recomendação é Bodrum e Fethiye, porém se você gosta de vinhos assim como eu; o inverno da Capadócia é o lugar certo para suas férias. Vale a pena visitar a fascinante Cidade de Éfeso, situada na região do mar Egeu e pra quem gosta de esportes de inverno, eu recomendo um passeio pela estação de esqui de Uludağ. Seja qual for o destino, eu te ajudo a chegar lá!

Você teve que se tornar mulçumana?
Não. O que é bem engraçado, porque muitos acreditam que isso seja uma obrigação. Eu continuo sendo cristã como sempre fui. A Turquia é um estado laico, mesmo que a maioria de sua população se identifique como muçulmana. Não existe nenhum dever religioso para homens ou mulheres que decidam morar aqui.

Como é um marido turco?
Existe um mito do “marido Turco” que faz a gente pensar em camelos na medina, “inshallah muito ouro”, segundas e terceiras esposas, dança dos sete véus e gênio da lâmpada. Tudo bem equivocado e fantasioso. Eu sempre fui boca aberta e língua solta, por isso, nada mais justo do que escolher um parceiro que coubesse no meu estilo de vida. Passei meus três primeiros anos de Turquia solteira, festei bastante e só me amarrei quando achei a pessoa certa!  Em janeiro de 2020 levei o Uğur (meu esposo) para conhecer Presidente Prudente e foram os melhores 40 dias do nosso ano. Ele se apaixonou pela cidade e pelo povo. Gravamos muitos vídeos nessa viagem e como ele aparece bastante nas minhas redes sociais; já ficou conhecido pelos seguidores como “o verdadeiro prudentino”. Ama música sertaneja, churrasco, pastel e caldo de cana.  Contrariando o imaginário popular em relação ao “turco padrão”: ele é tatuado, tem brinco na orelha, não vai à mesquita e bebe cerveja.

O que tem na Turquia, que você gosta muito, que não tem no Brasil?
Longos invernos com neve por todos os lados, a tradição do café da manhã que dura horas, crianças que realmente estão vivendo a infância, professores bem remunerados e extremamente respeitados pela sociedade. Pekmez, Testi Kebab e Lokum (só comida gostosa).

Como é trabalhar com turismo na Turquia?
Desafiador e maravilhoso. Receber brasileiros na Turquia é um privilégio, principalmente quando fazemos tudo com amor e muito cuidado. Meu trabalho tem como foco uma curadoria minuciosa e constante preocupação com as preferências do viajante. Digo sempre que eu crio viagens “ao estilo fada madrinha”, preparando sonhos e conectando pessoas à destinos. Esse é o ponto mais importante. O turismo foi um dos setores mais afetados neste ano, mas felizmente já temos um panorama positivo por aqui. Desde junho a Turquia está aberta aos brasileiros e nós estamos prontos pra recebê-los com todo carinho e profissionalismo.

 

Legendas

 

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Andy Sevinç na Capadócia: “sou apaixonada por esse lugar”

 


Andy com o marido, o turco Uğur, que “adora Presidente Prudente e o Brasil”


Andy, o avô Deolino Rodrigues da Silva (Lael), que mora em Prudente, e a mãe Simone, que vive com ela na Turquia

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