Animados pela esperança

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 16/08/2020
Horário 05:33

O Papa Francisco iniciou na quarta-feira, 5, uma série de catequeses para "abordar juntos as questões prementes que a pandemia revelou, especialmente as doenças sociais". Ele constata que “a pandemia pôs em evidência quão vulneráveis e interligados estamos todos nós” e que “se não nos preocuparmos uns com os outros, a começar pelos últimos, por aqueles que são mais atingidos, incluindo a criação, não podemos curar o mundo”. Suas reflexões serão “à luz do Evangelho, das virtudes teologais e dos princípios da doutrina social da Igreja”. Vai à procura do modo como “a nossa tradição social católica pode ajudar a família humana a curar este mundo que sofre de doenças graves”. Francisco deseja “refletir e trabalhar em conjunto, como seguidores de Jesus que cura, para construir um mundo melhor, cheio de esperança".
A pandemia atual, que continua a causar feridas profundas, evidencia a nossa vulnerabilidade e nos leva a refletir sobre este tempo de incerteza. Mantendo firme o nosso olhar em Jesus, experimentamos como a fé, a esperança e a caridade, dons do Espírito Santo, nos curam e fazem de nós instrumentos de cura. No Evangelho, vemos como Jesus sempre se mostrava disponível para curar, não só o corpo, mas a pessoa inteira, como no caso do paralítico de Cafarnaum, a quem Jesus primeiro lhe perdoa os pecados e depois lhe faz caminhar (cf. Marcos 2,1-12).
Também nós, como discípulos de Jesus, – exorta o santo padre – devemos nos perguntar: como podemos ajudar a curar o nosso mundo de hoje? “Como discípulos do Senhor Jesus, que é médico das almas e dos corpos, somos chamados a continuar “a sua obra de cura e salvação” (Catecismo,1421) em sentido físico, social e espiritual.” Embora a Igreja ministre a graça que cura através dos sacramentos e preste serviços médicos por todo o mundo, todavia, não possui respostas técnicas ou políticas para a pandemia. Também não dá indicações sociopolíticas específicas (S. Paulo VI). Esta é a tarefa dos líderes políticos e sociais.
O que a Igreja tem para oferecer – ressaltou – são alguns princípios fundamentais de Doutrina Social que podem nos ajudar a ir adiante, como a dignidade da pessoa, o bem comum, a opção preferencial pelos pobres, o destino universal dos bens, a solidariedade, a subsidiariedade, o cuidado pela nossa casa comum. Estes princípios – que expressam de diferentes maneiras as virtudes teologais – ajudam os dirigentes, os responsáveis pela sociedade, a promover o crescimento e inclusive, como neste caso de pandemia, a cura do tecido pessoal e social. Com eles possamos refletir e trabalhar juntos para construir um mundo melhor, animados pela esperança.
Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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