Balanço divulgado pela Prefeitura de Presidente Prudente acende um alerta importante para a segurança viária da cidade. Apenas em 2025, foram recolhidos 84 animais de grande porte que estavam soltos em vias públicas. Em 2026, antes mesmo do fim do primeiro trimestre, outras 26 apreensões já haviam sido registradas. Os números, por si só, revelam que o problema persiste — e que ele representa um risco real para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.
Animais de grande porte, como cavalos e bois, quando soltos em ruas e avenidas, transformam-se em obstáculos imprevisíveis no trânsito. Diferentemente de outros riscos urbanos, eles não respeitam sinalização, não seguem fluxo de veículos e podem surgir repentinamente em rodovias ou avenidas movimentadas. Um encontro inesperado entre um veículo e um animal desse porte, especialmente à noite ou em locais com pouca iluminação, pode resultar em acidentes graves, com consequências muitas vezes irreversíveis.
A operação realizada na última semana na zona leste — que reuniu a UVZ (Unidade de Vigilância de Zoonoses), a Polícia Militar e a Polícia Ambiental — demonstra que o poder público está atento ao problema. O recolhimento de oito animais encontrados soltos na região é uma ação necessária e que precisa continuar. No entanto, fiscalizar e recolher animais é apenas parte da solução.
A raiz do problema está na irresponsabilidade de alguns proprietários. Deixar animais em áreas verdes ou soltos pelas ruas é proibido. Mais do que uma infração administrativa, trata-se de uma conduta que coloca vidas em risco. Um animal solto em uma avenida movimentada pode provocar colisões, derrubar motociclistas ou causar manobras bruscas que resultem em atropelamentos.
A legislação municipal prevê penalidades, incluindo taxa de apreensão, diária de permanência e multa em caso de reincidência. Em 2026, os valores chegam a R$ 268,28 pela apreensão, R$ 96,58 por dia de permanência e R$ 536,57 para casos de reincidência. As cobranças têm caráter educativo e punitivo, mas também levantam uma reflexão: o prejuízo financeiro pode ser alto, porém, nada se compara ao custo humano de um acidente grave.
Por isso, além das operações de fiscalização anunciadas pela Prefeitura, é fundamental reforçar a conscientização. Proprietários precisam compreender que manter animais sob controle não é apenas uma obrigação legal — é um dever de responsabilidade social. A cidade não pode conviver com o risco constante de animais soltos em suas vias. Segurança no trânsito depende de vários fatores: respeito às leis, atenção dos condutores, boa infraestrutura urbana. Mas também exige compromisso de quem possui animais. Afinal, um descuido aparentemente simples pode terminar em tragédia.