Ano novo: entre metas, expectativas e cuidado com a saúde emocional

De acordo com o psicólogo da Unimed Prudente, Davi Sereghetti, o começo do ano funciona como um importante marcador de passagem do tempo e costuma despertar emoções intensas

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 06/01/2026
Horário 07:12
Foto: Getty Images
Comum no início de ano, construção de metas exige atenção, para que não seja distorcida da realidade
Comum no início de ano, construção de metas exige atenção, para que não seja distorcida da realidade

“Ano novo, vida nova” é uma das expressões mais citadas no início do ano, período tradicionalmente marcado pela definição de novos objetivos, como a busca por melhor qualidade de vida, o investimento em qualificação profissional e a adoção de hábitos mais saudáveis. No entanto, lidar com adversidades e frustrações faz parte desse processo e é fundamental para a preservação da saúde mental.

De acordo com o psicólogo da Unimed Prudente, Davi Sereghetti, o começo do ano funciona como um importante marcador de passagem do tempo e costuma despertar emoções intensas. “Esse período é caracterizado por expectativas de felicidade, mas também por medos, perdas e sentimentos de tristeza. Os encontros e eventos familiares acabam se tornando espaços nos quais essas emoções encontram oportunidade de expressão”, explica.

A construção de metas faz parte do anseio natural das pessoas em moldar a própria vida de acordo com seus desejos, mas esse movimento exige atenção. Segundo o profissional, o processo pode gerar sofrimento quando está baseado em idealizações irreais. “Esse ponto é importante, pois pode produzir mal-estar quando aquilo que motiva o estabelecimento de metas e objetivos está sustentado em uma visão distorcida da realidade”, afirma.

Expectativas X realidade

Exemplos como “trabalhe com o que ama e nunca mais precisará trabalhar”, “encontre sua cara metade e seja feliz para sempre” ou “tome o medicamento da moda e alcance o corpo ideal” são discursos comuns nos dias atuais. Para o psicólogo, é necessário diferenciar expectativas de realidade. “Ter prazer em uma atividade não elimina responsabilidades, cobranças e dificuldades do cotidiano profissional.

Da mesma forma, o convívio diário, os desafios da vida familiar, as mudanças e a educação dos filhos são fontes permanentes de conflito, justamente porque envolvem expectativas e a busca por um ideal de felicidade”, ressalta Davi Sereghetti.

A busca incessante por produtividade e resultados acima de um padrão possível e saudável gera, sem dúvidas, sobrecarga e prejuízos à saúde emocional, física, psíquica, social, familiar e comunitária. O excesso de trabalho pode tornar a pessoa indisponível para o convívio social, distante da educação dos filhos e afastada de laços sociais protetivos. Nesse contexto, a psicologia desempenha um papel essencial, seja pelo reconhecimento de que buscar ajuda é necessário, seja pela compreensão de que, mesmo fazendo tudo corretamente, dificuldades ainda podem persistir.

“Buscar um espaço onde seja possível nomear esse sofrimento é um passo importante para um reposicionamento diante da própria dor, permitindo repensar os planos e projetos que orientam nossos desejos de vida”, finaliza o psicólogo.

Por fim, é importante reforçar que o início do ano não precisa ser marcado por cobranças excessivas ou pela obrigação de mudanças imediatas. Respeitar o próprio tempo, reconhecer limites e compreender que o processo de transformação é contínuo contribuem para uma relação mais saudável consigo mesmo. Começar o ano com acolhimento e equilíbrio é tão importante quanto estabelecer metas, fortalecendo a saúde mental e emocional ao longo de todo o ano.

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