“Ano novo, vida nova” é uma das expressões mais citadas no início do ano, período tradicionalmente marcado pela definição de novos objetivos, como a busca por melhor qualidade de vida, o investimento em qualificação profissional e a adoção de hábitos mais saudáveis. No entanto, lidar com adversidades e frustrações faz parte desse processo e é fundamental para a preservação da saúde mental.
De acordo com o psicólogo da Unimed Prudente, Davi Sereghetti, o começo do ano funciona como um importante marcador de passagem do tempo e costuma despertar emoções intensas. “Esse período é caracterizado por expectativas de felicidade, mas também por medos, perdas e sentimentos de tristeza. Os encontros e eventos familiares acabam se tornando espaços nos quais essas emoções encontram oportunidade de expressão”, explica.
A construção de metas faz parte do anseio natural das pessoas em moldar a própria vida de acordo com seus desejos, mas esse movimento exige atenção. Segundo o profissional, o processo pode gerar sofrimento quando está baseado em idealizações irreais. “Esse ponto é importante, pois pode produzir mal-estar quando aquilo que motiva o estabelecimento de metas e objetivos está sustentado em uma visão distorcida da realidade”, afirma.
Exemplos como “trabalhe com o que ama e nunca mais precisará trabalhar”, “encontre sua cara metade e seja feliz para sempre” ou “tome o medicamento da moda e alcance o corpo ideal” são discursos comuns nos dias atuais. Para o psicólogo, é necessário diferenciar expectativas de realidade. “Ter prazer em uma atividade não elimina responsabilidades, cobranças e dificuldades do cotidiano profissional.
Da mesma forma, o convívio diário, os desafios da vida familiar, as mudanças e a educação dos filhos são fontes permanentes de conflito, justamente porque envolvem expectativas e a busca por um ideal de felicidade”, ressalta Davi Sereghetti.
A busca incessante por produtividade e resultados acima de um padrão possível e saudável gera, sem dúvidas, sobrecarga e prejuízos à saúde emocional, física, psíquica, social, familiar e comunitária. O excesso de trabalho pode tornar a pessoa indisponível para o convívio social, distante da educação dos filhos e afastada de laços sociais protetivos. Nesse contexto, a psicologia desempenha um papel essencial, seja pelo reconhecimento de que buscar ajuda é necessário, seja pela compreensão de que, mesmo fazendo tudo corretamente, dificuldades ainda podem persistir.
“Buscar um espaço onde seja possível nomear esse sofrimento é um passo importante para um reposicionamento diante da própria dor, permitindo repensar os planos e projetos que orientam nossos desejos de vida”, finaliza o psicólogo.
Por fim, é importante reforçar que o início do ano não precisa ser marcado por cobranças excessivas ou pela obrigação de mudanças imediatas. Respeitar o próprio tempo, reconhecer limites e compreender que o processo de transformação é contínuo contribuem para uma relação mais saudável consigo mesmo. Começar o ano com acolhimento e equilíbrio é tão importante quanto estabelecer metas, fortalecendo a saúde mental e emocional ao longo de todo o ano.