Antropofagia de bons objetos

Durante toda a trajetória de uma vida, somos as experiencias emocionais que introjetamos e projetamos. O ideal é que nessa estrada, haja o encontro de muito bons, objetos amorosos. Assim sendo, o enfrentamento de frustrações inerentes ao cotidiano, serão simples e motivos para o fortalecimento e de uma possível maturidade. Os bons objetos internos que habitam nosso mundo mental, são aqueles que, até mesmo no útero, já são sentidos. Nosso primeiro objeto de amor é a mãe. Olha a responsabilidade sobre a maternidade! Tanto o menino como a menina internalizam esse objeto-mãe-afetiva. Após a vivência da experiencia emocional materna, inicia o processo da entrada do pai. E então soma-se mais um objeto interno bom. Olha a responsabilidade sobre a paternidade! E seguindo a estrada, vem os avós que são doces, iguais algodão doce. É tanto amor, tanto bem-querer, tanta preocupação, responsabilidade, tanto foco e tanto desejo de realização dos desejos dos netos. É um amor inexplicável. E naturalmente entram os tios, primos, padrinhos, vizinhos e as doulas. A família é o continente com seus conteúdos abarrotados de bons objetos bons e saudáveis. O bebê, sob o ponto de vista antropofágico, bebe o leite mágico do amor, deglute bons alimentos no almoço e janta um psiquismo de impulso de amor em direção a Eros. Essa antropofagia do amor, seria o ideal e o normal. Podemos até sonhar, mas a realidade, muitas vezes é o oposto disso. Freud escreveu o texto chamado “Mal-estar na civilização “em 1929, sabemos que viver não é fácil. A civilização foi moldando o homem, onde ele deixa o seu lado primitivo e inicia o processo civilizatório com princípios, deveres, normas e valores. E todo esse movimento leva em direção às escolhas. Freud também escreveu um texto chamado, “Os dois princípios de funcionamento mental (1911)”, que são: O princípio de prazer e o princípio da realidade. O limite e o equilíbrio entre esses dois princípios, é que vão nortear o homem para o seu bem-estar e harmonia para lidar com o Social-ismo e deixar uma pouco o Narcis-ismo.Realmente necessitamos da bússola psíquica para poder conviver em grupos, formar uma família e poder assim, gestar os filhos. Voltando ao início do texto, finalizo enfatizando a importância da família e de sua boa formação. E como é importante fertilizar os bons objetos internos. É a partir do conhecimento e experiencia entre esses objetos bons internalizados, que poderemos suportar as adversidades, contrariedades, trágico e o caos que logo ali na curva encontraremos. E com certeza teremos força para enfrentá-lo. Em outro texto, falarei sobre antropofagia de maus objetos.   

 

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