Arrependimento e amadurecimento

OPINIÃO - Leonardo Delatorre Leite

Data 03/08/2021
Horário 05:00

A prática das virtudes requer uma atitude constante de observância das próprias falhas e defeitos pessoais. Apesar dos esforços genuínos em prol de uma vida centrada no exercício do bem e da caridade, as fragilidades da natureza humana impedem a consolidação de uma perfeição moral. Nesse sentido, os erros e deslizes fazem parte da jornada de todos os seres humanos. Não obstante as falhas e desvios de caráter, é possível preservar a moralidade, pois não são os defeitos que definem um indivíduo como bom e virtuoso, mas sua disposição em arrepender-se e retornar ao caminho justo.
Destarte, o arrependimento é uma prática imprescindível para o progresso no amadurecimento e, sobretudo, para a constância no caminho do bem e das virtudes. Contudo, por que o arrependimento é tão necessário para uma vida virtuosa e o que qualifica o verdadeiro arrependimento? Segundo o escritor francês Honoré de Balzac: “O remorso é uma impotência. Ele voltará a cometer o mesmo pecado. Apenas o arrependimento é uma força que põe termo a tudo”. Em vista disso, o pensador supracitado transmite três lições inexoráveis, a saber: sem arrependimento não há perdão dos erros; sem arrependimento a felicidade é impossível e, por fim, o arrependimento não é remorso.
Diante dos fatos supramencionados, é importante ressaltar que o arrependimento não é uma mera tristeza ou angústia, mas uma consciência genuína do mal praticado acompanhada por uma firme disposição em corrigir, na medida do possível, o que foi feito erroneamente. Portanto, pode-se dizer que o verdadeiro arrependimento é uma mudança significativa de caráter e de atitude, cujas origens se encontram em uma consciência moral que anseia pelo Sumo Bem e pela verdade.  Dessa forma, o arrependimento é uma condição indispensável para o perdão, o qual é fruto de uma transformação de conduta. Conforme aponta o teólogo São Francisco de Sales, doutor da Igreja, “O arrependimento de nossas faltas deve ter duas qualidades: A tranquilidade e a firmeza”.
Ademais, a humilde confissão dos erros e pecados praticados é um dos símbolos do verdadeiro arrependimento. Se a falha cometida afetou diretamente o próximo, nada melhor do que uma confissão acompanhada de uma contrição genuína perante ele, pois “ninguém cura a si próprio ferindo o outro” (Santo Ambrósio de Milão).  Diante disso, o arrependimento eficaz afasta o peso dos erros e das imoralidades, bem como representa um remédio para angústia oriunda do remorso. 
Em virtude do que foi apresentado, pode-se dizer que arrependimento é o verdadeiro critério para distinguir uma pessoa virtuosa do indivíduo soberbo e incapaz de amar genuinamente.  Destarte, a lamentação por um mal cometido e a vontade categórica na restauração do bem tipificam os elementos centrais de uma vida virtuosa e plena. Por fim, “ser bom não consiste em não cometer falhas, mas na vontade de corrigir-se” (São João Bosco).  
 

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