Dados do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) demonstram que, no oeste paulista, os atropelamentos de animais silvestres registraram uma queda de 28,2%, em 2025. Foram 358 ocorrências catalogadas em 29 cidades, em 2024, as quais passaram para 257, no ano passado.
Mesmo diante do recuo nos casos, em função do aumento do fluxo de veículos nas rodovias paulistas durante o período de férias e feriados, o DER-SP, órgão vinculado à Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), alerta para o risco da presença de animais na pista e intensifica as orientações de segurança viária.
“Os investimentos e esforços adotados pelo DER-SP para prevenir sinistros envolvendo a fauna já apresentam resultados positivos. Levantamento recente aponta queda no número de atropelamentos de animais em 2025, na comparação com o ano anterior”, frisa o órgão, o qual afirma que vem ampliando de forma contínua as ações preventivas para minimizar esse tipo de ocorrência.
“Atualmente, 121 estruturas de passagem de fauna estão implantadas ao longo da malha rodoviária administrada pelo departamento, contribuindo tanto para a preservação dos animais quanto para a segurança dos usuários”, ressalta. “Além disso, o órgão mantém o reforço permanente da sinalização vertical e horizontal nos trechos críticos, bem como o monitoramento constante realizado pelas UBAs [Unidades Básicas de Atendimento], distribuídas em todo o território paulista”, complementa.
Por outro lado, o presidente da Apoena (Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar), Djalma Weffort, considera que outras medidas são necessárias para coibir ao máximo o número de ocorrências do tipo. “Nossa região é recorde de atropelamentos de animais silvestres. O prejuízo maior para a fauna é que você interrompe o fluxo genético das espécies. Isso pode levar, inclusive, a extinções locais, em especial das espécies com peças ameaçadas de extinção, como é o caso de onça pitada”, comenta o ambientalista. “Nós temos vários casos de atropelamento de onça pintada na estrada que corta o Morro do Diabo, e isso significa uma perda genética, uma perda de sustentabilidade da população a médio e longo prazo”, argumenta.
Ele afirma que medidas para evitar novos atropelamento não podem se basear somente no comportamento dos motoristas, ou seja, na cultura de dirigir, mas, sim, na conscientização das pessoas. “Nós estamos muito atrasados nesses aspectos. As pessoas, às vezes, atropelam animais até intencionalmente”, denuncia.
“Então, nós precisamos de medidas fortes, que começam, primeiro, pela instalação de câmeras de redução de velocidade e, depois, as passagens de fauna, que podem ser de dois tipos: as travessias aéreas, que chamam também de dosséis, que servem para alguns tipos de animais, e as travessias subterrâneas. Junto com isso é preciso ter também os alambrados direcionais para que as espécies possam ser levadas para essas passagens”, aponta Djalma.
Para reduzir os riscos de atropelamentos de animais, o DER-SP orienta que os motoristas respeitem a sinalização de redução de velocidade, especialmente em trechos mapeados como críticos, reduzam a velocidade em áreas com vegetação densa às margens da rodovia, onde a visibilidade é mais limitada, e redobrem a atenção durante o período noturno, quando muitas espécies estão mais ativas.
O departamento também recomenda que os condutores se mantenham alertas em trechos próximos a corpos d'água, como rios e açudes, locais frequentemente utilizados pela fauna, e evitem o descarte de resíduos sólidos ou restos de alimentos na rodovia, pois esses materiais podem atrair animais e seus predadores.
O DER-SP ainda alerta que nem todas as espécies fogem automaticamente da aproximação de veículos. “Ao perceber um animal na pista ou em suas proximidades, o motorista deve reduzir a velocidade e aguardar, permitindo que ele saia da área de risco”, explica o órgão. Ainda conforme o departamento, também é importante evitar acionar o farol alto ou buzinar, pois essas ações podem desorientar o animal, provocando imobilidade ou reações imprevisíveis.
“Em caso de frenagem brusca ou parada, recomenda-se sinalizar corretamente a via para reduzir o risco de colisões traseiras. Em situações de emergência, o DER-SP pode ser acionado gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 0800-055-5510”, orienta.
SAIBA MAIS
Centros de Triagem e Reabilitação
Um convênio inédito que foi firmado em fevereiro entre a Semil e o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) prevê investimento total de R$ 39,75 milhões entre obras, equipamentos e despesas para o funcionamento de novos Cetras (Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres). Esses recursos permitirão a criação e o funcionamento de três novos centros regionais, em Jales, Presidente Prudente e Itapeva, que integrarão a rede estadual de atendimento. Além disso, com a iniciativa, o Estado passará a contar, pela primeira vez, com cobertura integral da rede de Cetras para atendimento às 19 companhias da Polícia Militar Ambiental, incluindo a sediada na capital paulista. A previsão é de que o Cetras de Jales seja entregue em 2027, enquanto as unidades de Presidente Prudente e Itapeva devam entrar em funcionamento em 2028.
Reprodução/DER-SP

DER-SP mantém reforço permanente da sinalização vertical e horizontal nos trechos críticos
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Djalma: “Temos vários casos de atropelamento de onça pintada na estrada que corta o Morro do Diabo”