Aventuras de uma mãe de primeira viagem

Giselle Tomé

CRÔNICA - Giselle Tomé

Data 09/05/2026
Horário 06:00

Com o Dia das Mães, me peguei relendo uma crônica que escrevi anos atrás nas minhas redes sociais. Percebi que ela continua atualíssima. Afinal, se tem uma coisa que não muda, é o tanto de perrengue (e boas risadas) que a maternidade de primeira viagem proporciona. Então, resolvi republicá-la com todo o humor que a vida de mãe permite [risos]. 
Quando minha primogênita completou 4anos e eu parei de ir com tannnnnta frequência ao pediatra, concluí, no auge de minha sabedoria materna (#sqn), que: “mãe de primeira viagem é uma experiência complicadíssima”. A gente passa tanto apuro! É um atrás do outro.
Você passa a se preocupar com coisas que jamais pensou, como, por exemplo, o cocô do nenê. Qual é a cor do cocô? Você já parou para pensar nisso? Se não, descobrirá, em breve, quando o nenê nascer, que há várias tonalidades.
Uma das primeiras perguntas que a pediatra faz quando você leva o bebê e diz que ele está ruinzinho é: “Ele está fazendo cocô normal? Qual a cor?” Amiga do céu, juro que a primeira vez que me perguntaram sobre a cor, fiquei cor de papel. Sei lá, qual cor? Pensei... e respondi, com medo de ser julgada como uma péssima mãe, “normal”, sem ter a mínima ideia do que, naquela altura, era normal.
Depois daquele dia, passei a perceber que há vários tons de verde: é um cocô verde bebê (boa!), verde amarelado, verde clarinho, verde militar, verde indo para o marrom, ops, aqui já é sinal de alerta. Depois, descobri na caderneta de vacinação que havia até uma espécie de linha do tempo para os tons do cocô, tipo aquelas paletas de cores que olhamos quando vamos decidir pintar a casa. E aí, lá ia eu... ela fazia cocô e eu colocava o livro perto para ver se ele estava ficando no tom de “alerta”. Na dúvida, tirava foto e mandava para o marido. Gente, calma, quem tem criança sabe o que é desespero.
Hoje, fico imaginando meu marido no meio de uma reunião, recebendo a foto de uma fralda cheia de cocô com a seguinte mensagem: “Hoje ela fez cocô assim, será que tá normal?”. E ele me respondendo: “Pode procurar ajuda... mas psiquiátrica”. Alguém tem que ter bom equilíbrio na relação. AVE! Tô falando que mãe de primeira viagem é surtada.
Mas existe coisa pior... É quando o bebê decide parar de fazer cocô. Jesus! Que desespero! Dá-lhe massagem na barriga, água (se puder) e muita oração. A gente reza por um cocô como rezamos pela chuva no deserto.
Quando o nenê faz cocô, ele, a mãe, os familiares, vizinhos e amigos ficam em plena felicidade. É o típico “a merda que deu certo!” É sério. O cocô deixa de ser privacidade.
Quando eu achei que já dominava todas as cores, o pediatra introduz uma pergunta nova: “Você reparou algo de estranho no cocô?”. MI-SE-RI-CÓR-DIA. Como assim? Algo de estranho? O que seria isso?
E aí veio a explicação: sangue, catarro, brinquedo [risos, vai saber]. Gente, aí pirei na batatinha. Tinha que dominar as cores e as coisas estranhas. Até hoje não consigo dar “tchau” (técnica utilizada com frequência no desfralde) direito para o cocô. Tenho que fazer uma autoavaliação sobre seu estado: cor, espessura, o que tinha dentro. Comprovei nesses anos de experiência, já mãe de segunda viagem, que “tudo que entra realmente sai”.
E a viagem continua. Conforme a criança cresce, as cores, cheiros vão se alternando... Não dá para ficar 100% especialista. Não dá para passar de fase!
Mas não se preocupe, mãe: sempre surgem novas preocupações para substituir as antigas. Tipo: será que ela está respirando enquanto dorme? Será que vai passar frio? Será que...? Será que...? São tantas dúvidas. 
E se você está começando agora, respira fundo: você ainda vai ter muitas histórias que, na hora, vão te deixar assustada, depois viram boas risadas. O melhor de tudo é que a gente tem intuição e acaba usando, no meio do caos, em prol dos nossos bebês. Ser mãe é incrível e uma grande aventura. Aproveite seu dia recebendo todo o carinho dos que te amam. Feliz Dia das Mães!
 

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